A política económica do marquês de Pombal
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Par défaut A política económica do marquês de Pombal - 25/11/2007, 16h54

No plano económico, o marquês de Pombal promoveu a terceira tentativa de desenvolvimento das manufacturas portuguesas e fundou companhias para os vários sectores da produção: agricultura, comércio e pescas.
Fundou a Companhia da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, a Companhia para o Comércio do Oriente, a Companhia do Grão-Pará e Maranhão, a Companhia de Pernambuco e Paraíba e a Companhia das Pescas do Algarve. Com a preocupação de desenvolver a actividade mercantil, ordenou que o comércio fosse declarado uma profissão nobre e instituiu a Aula do Comércio para criar novos quadros empresariais. Criou ainda a Junta do Comércio, que congregava os interesses do Estado e os dos homens de negócios mais influentes e abastados da época.
No desenvolvimento manufactureiro, pôs em prática uma política proteccionista, desincentivando as importações, isentando de impostos as novas oficinas e concedendo monopólios. A Coroa tornar-se-ia proprietária de muitas das novas fábricas. Transformou a Real Fábrica das Sedas do Rato num moderno complexo industrial que não só produzia sedas, mas também porcelanas, pentes, chapéus, etc. Criou a manufactura de Portalegre, dinamizou a produção dos vidros da Marinha Grande, introduziu os têxteis de algodão e incentivou a transformação de muitos outros artigos de luxo e mesmo de uso corrente, como o açúcar e os tabacos, de forma a reduzir o défice da balança de pagamentos. A articulação entre as exportações coloniais e a transformação desses produtos na metrópole tornou-se, então, numa prioridade.
Para esse desenvolvimento económico, o marquês contou com a colaboração da burguesia, quer nacional, quer estrangeira, cuja promoção apoiava. Jácome Ratton, de origem francesa, pode ser apresentado como um dos exemplos da burguesia estrangeira, radicada em Portugal, que aderiu ao projecto pombalino, tendo sido mesmo um dos primeiros a fazer investimentos na indústria.
Todo este surto desenvolvimentista se deu à custa de um financiamento proveniente de uma taxa alfandegária de 4% sobre as importações e, numa atitude bem consentânea com o espírito pombalino, com ataques constantes à estrutura corporativa da própria indústria, à qual acabaria por ser retirada a capacidade de concessão de licenças para a instalação de novas manufacturas.
Com a retracção da concorrência estrangeira no plano metropolitano e colonial, em parte espontânea e em parte provocada pelas políticas pombalinas, este fomento industrial interno e as medidas de exportação para o Brasil revelar-se-iam primordiais no fornecimento à indústria portuguesa daquilo de que ela mais necessitava: um mercado.


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