A política económica de D. Pedro II -
25/11/2007, 16h53
No último quartel do século XVI assistiu-se à primeira fase da industrialização portuguesa, que todavia acabaria por abrandar consideravelmente na viragem para o século seguinte. Os principais responsáveis por este incremento económico foram Duarte Ribeiro de Macedo, o conde da Ericeira e o marquês de Fronteira, os dois últimos vedores da Fazenda de D. Pedro. Como resposta à crescente importação de artigos industriais estrangeiros e consequente carência de meios de pagamento, estes homens resolveram adoptar várias medidas tendentes à substituição das importações por bens produzidos internamente.
Assim, restringiram largamente o consumo de produtos estrangeiros, criaram algumas manufacturas, convidaram técnicos estrangeiros e concederam privilégios fiscais e de mercado para certas unidades industriais. Especialmente impulsionadas seriam as indústrias dos lanifícios, sedas, chapéus, vidro e ferro, numa forma de produção «proto-industrial» ou seja, com base no trabalho a domicílio ou oficinal, e com fortes incentivos provenientes das encomendas do Estado, como por exemplo para os fardamentos militares. Mas a partir de 1703, com as consequências da assinatura do Tratado de Methuen, este primeiro surto industrialista acabaria por fracassar.
O Tratado de Methuen foi um acordo comercial, negociado entre Portugal e a Inglaterra que tomou o nome do embaixador inglês que o negociou, John Methuen. Por parte de Portugal, foi escolhido para tomar parte nas negociações o marquês de Alegrete, nobre ligado aos grandes interesses da viticultura portuguesa. Por esse acordo, assinado a 27 de Dezembro de 1703, os portugueses facilitavam a entrada em Portugal, sem quaisquer limitações, dos lanifícios ingleses, e em Inglaterra era facilitada a venda dos vinhos portugueses, que pagavam menos direitos alfandegários do que os vinhos de outras procedências.