A política económica de D. João V -
25/11/2007, 16h52
Embora o tesouro ainda se encontrasse depauperado quando D. João V subiu ao trono, devido às guerras a que Portugal foi sujeito, o facto é que a época deste monarca foi a de maior afluxo de ouro do Brasil e de diamantes. D. João V mandou cunhar grandes moedas de ouro (as dobras), que inundaram os mercados e permitiram dinamizar o comércio europeu. As cunhagens atingiam nessa altura grande variedade e beleza artística, sendo o reinado de D. João V considerado uma das épocas de maior relevância na história monetária portuguesa. A coroa cobrava um quinto de toda a produção aurífera; eram «os quintos do Brasil». Houve então uma corrida ao ouro e o monarca canalizou as suas atenções para esse território. Deu-se um surto na exploração mineira, aumentou a emigração, o rei mandou ampliar os quadros administrativos, militares e técnicos, desenvolveu a construção naval e promoveu a cultura do açúcar.
Na metrópole, os lucros auferidos pelo comércio, quer interno, quer externo, estimularam a indústria manufactureira, e a abundância de ouro atraiu vários estrangeiros, que procuravam investir em Portugal. Muitas dessas iniciativas falharam por falta de organização económica, por falta de estruturas modernas, e também por falta de empresários activos. Todas essas dificuldades governativas se agravaram com a doença do rei, sobretudo a partir de 1742, e ainda mais quando morreu o seu ministro, o cardeal da Mota, em quem o monarca depositava toda a sua confiança. Pouco tempo separou o fim das suas vidas. O cardeal morreu em 1747 e o rei, em 1750.