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A política diplomática de D. João V -
25/11/2007, 16h52
O rei D. João V, depois ter assinado em 1714 o tratado de Utreque, que pôs fim à guerra da sucessão de Espanha, tentou manter face à Europa uma atitude pacifista e de neutralidade, exceptuando os casos em que a independência do país e o seu prestígio internacional fossem postos em causa. Dentro desse contexto, resolveu intervir no Mediterrâneo, satisfazendo um pedido do papa e de Veneza para combater os turcos. Enviou, para esse fim, duas esquadras, em 1716 e 1717, que, juntamente com navios de outros países, ajudaram a derrotar os turcos na batalha naval de Matapan.
O rei português manteve relações próximas com a Áustria, tendo mesmo casado com uma princesa austríaca, D. Maria Ana de Áustria; tentou relações estáveis com a França, com a Espanha, com a Inglaterra e com a Santa Sé, o que nem sempre foi fácil. Com a França, por exemplo, as relações estiveram suspensas entre 1722 e 1730; no entanto, e após várias vicissitudes, o prestígio diplomático nesse país foi recuperado, quando D. João V nomeou um dos mais notáveis diplomatas da sua corte, D. Luís da Cunha, seu representante, de 1737 a 1750.
Com a Espanha, tentou-se uma plataforma de entendimento vantajosa para os dois países. Um dos motivos de aproximação foi a aliança matrimonial dupla estabelecida entre as duas coroas: D. José, futuro rei D. José I, casou com a filha de Filipe V, D. Mariana Vitória, e a infanta portuguesa, D. Maria Bárbara, casou com D. Fernando, príncipe das Astúrias. A troca das princesas fez-se a 19 de Janeiro de 1729, na fronteira do Caia, no meio de uma cerimónia imponente, a que assistiram os reis de Portugal e de Espanha.
Nas relações entre Portugal e a Inglaterra, velhos aliados, ambos os países tentaram defender os seus interesses mútuos. Portugal encontrou apoio no poderio marítimo dos ingleses contra as ambições da França e da Espanha e a Grã-Bretanha tirou partido do comércio marítimo, quer nos portos da metrópole, quer do Brasil. Foi nessa altura, em 1738, que foi enviado como embaixador à corte britânica Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro marquês de Pombal.
Na diplomacia entre Portugal e a Santa Sé, D. João V manteve-se sempre muito firme e, embora as relações com Roma estivessem interrompidas durante quatro anos, de 1728 a 1732, o monarca português conseguiu algumas vitórias, entre elas a criação de duas catedrais em Lisboa, o aumento do número de dignidades eclesiásticas e a obtenção do título de Fidelíssimo. A esses sucessos diplomáticos não terão sido alheias as compensações monetárias do rei «Magnânimo», em relação ao papado, como também a sua demonstração constante de monarca poderoso, de que nunca abdicou. Um dos diplomatas que o rei enviou para Roma foi Alexandre de Gusmão, que ali permaneceu durante sete anos, de 1723 a 1730, e que prestigiou o nome da corte portuguesa.
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"La seule chose promise à l'échec est celle que l'on ne tente pas"
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