A política diplomática da Restauração
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Par défaut A política diplomática da Restauração - 25/11/2007, 16h51

Após a Restauração, D. João IV teve de enfrentar os graves problemas com que o país se defrontava. No plano da política externa, o mais premente era tentar obter, por parte dos países europeus, não só o reconhecimento da independência de Portugal, como a aceitação do seu próprio título de rei. Para isso, o monarca enviou missões diplomáticas à Catalunha, a França, Inglaterra, Províncias Unidas (Holanda), Dinamarca, Suécia e Roma.
A França foi o primeiro país a receber embaixadores portugueses, entre eles o jesuíta padre António Vieira, mas as negociações revelaram-se difíceis e os apoios foram fracos. O auxílio francês ficava-se muitas vezes pelas promessas, mas Portugal não desistiu de obter o apoio daquele país e, mais tarde, já no reinado de D. Afonso VI, chegou-se mesmo à realização do casamento do rei com uma princesa francesa, D. Maria Francisca Isabel de Sabóia, ainda parente de Luís XIV. Como resultado dessa união, os dois países assinaram, logo no ano seguinte, 1667, um tratado de aliança do qual fazia parte ajuda militar a Portugal.
Para a Inglaterra, logo no ano a seguir à restauração da independência, Portugal enviou como diplomata o conjurado D. Antão de Almada, acompanhado por António de Sousa de Macedo, a tentar renovar a antiga aliança luso-britânica e conseguir privilégios para os naturais de ambos os países. Esse foi o tratado de 1642. Depois desse, outros se fizeram e, em 1661, mais uma vez, à semelhança do que se acontecera com a França, realizou-se um casamento régio, desta vez entre o rei de Inglaterra, Carlos II, e a infanta D. Catarina de Bragança, filha de D. João IV. O tratado de 1661 foi um tratado de paz e aliança que ratificava os tratados anteriores e obrigava Portugal a cumprir uma série de cláusulas: pagar o dote de D. Catarina no valor de dois milhões de cruzados, ceder aos ingleses Tânger e Bombaim, dar liberdade comercial aos mercadores britânicos em quaisquer praças do reino português, entre outras.
Na diplomacia com a Holanda, a seguir a 1640, Portugal pedia a paz e a restituição dos territórios ultramarinos que os holandeses haviam ocupado durante o domínio filipino, mas estes continuaram a sua política de conquista, tomando o Maranhão, Angola, São Tomé e Malaca. A paz definitiva só se conseguiu em 1661. Pelo tratado desse ano, a Holanda renunciou às conquistas no Brasil, pelas quais Portugal pagou indemnizações, manteve as suas conquistas no Oriente, renunciou a quaisquer direitos sobre a posse de Angola e São Tomé e os mercadores holandeses ficaram a usufruir de regalias no comércio com Portugal, o que levou os ingleses a protestar, tendo o tratado de ser ratificado um ano mais tarde (24 de Maio de 1662).
Com Roma, as relações diplomáticas do Portugal pós-restauração foram um fracasso. A Santa Sé, para não desagradar a Espanha, recusou-se a reconhecer a independência portuguesa e não aceitou os pedidos de confirmação dos bispos propostos por D. João IV para ocuparem as dioceses vagas. Devido a esse litígio, chegou a haver em Portugal 28 sés sem bispo. Só em 1669, já na regência de D. Pedro II, e depois de feitas as pazes com a Espanha, o papa recebeu em audiência um embaixador português.


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