A instabilidade política sob a administração dos ingleses
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Par défaut A instabilidade política sob a administração dos ingleses - 25/11/2007, 16h49

A situação política em Portugal, após as invasões francesas (1807-1811), era confusa: primeiro, o domínio dos ingleses; a seguir, a dependência de Lisboa em relação ao Rio de Janeiro, para onde a corte se deslocara em finais de Novembro de 1807. Portugal passava de metrópole a colónia. Em 1815, o Brasil era elevado a reino e, passados três anos, D. João VI era aclamado, no Rio de Janeiro, rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve. Entretanto, a corte não mostrava desejos de regressar à Europa (D. Maria I morrera em 1816) e em Lisboa estava uma regência incapaz de governar segundo os novos ideais e de se impor ao predomínio político-militar da Inglaterra.
Era William Beresford, marechal instrutor do exército português, quem governava Portugal, submetendo o país a uma forte organização militar e colocando os oficiais britânicos nos mais altos postos, enquanto os oficiais portugueses eram preteridos nas suas promoções. Grande parte das receitas públicas era absorvida pelo exército e a crise económica, financeira e social agravava-se. Beresford deslocou-se por duas vezes ao Brasil para, junto do monarca ausente, conseguir mais autoridade.
A verdade, contudo, é que o regente D. João, depois VI desse nome, do Brasil, sancionava o status quo e reduzia a regência para apenas três membros, concedendo a Wellington o direito de participar nas reuniões. Por outro lado, não querendo repetir a actuação inglesa por alturas da convenção de Sintra de 1808, puniu duramente os «afrancesados», procedendo à deportação maciça de muitos colaboracionistas jacobinos dos antigos invasores. Mais tarde teria de dar o dito por não dito, perante as pressões europeias e readmitir a maior parte deles, assegurando novamente os seus vencimentos enquanto funcionários públicos. Mais tarde, também, seria a própria regência que se começaria a cansar da forte presença inglesa em território nacional e a exigir, perante a crise financeira e o lastimoso estado da economia, o regresso do rei.
Entretanto, no país, e entre deportados e exilados pela Europa, conspirava-se contra os ingleses e pedia-se a substituição da Casa de Bragança pela do Cadaval, a união ibérica e a dotação da nação de uma constituição de modelo liberal-republicano e de umas cortes parlamentares. Em 1817, foi descoberta uma conjura, chefiada pelo general Gomes Freire de Andrade, contra William Beresford, e que tinha como objectivo a implantação do liberalismo em Portugal. A tentativa de rebelião foi mergulhada em sangue, sendo todos os implicados mortos na forca, no Campo de Santana, na capital, que se passou a chamar Campo dos Mártires da Pátria - à excepção de Gomes Freire de Andrade, executado no forte de São Julião da Barra.
Mas o fermento revolucionário não morreu e, logo no ano seguinte, 1818, um grupo de burgueses do Porto deu início a uma associação secreta, o Sinédrio, que haveria de impulsionar a revolução de 1820. O principal fundador do Sinédrio (do grego synedrion, assembleia) foi Manuel Fernandes Tomás, mação e liberal, que depois aliciaria mais doze elementos, entre os quais se contam José da Silva Carvalho, José Ferreira Borges e o coronel Sepúlveda. A maioria dos seus membros fazia parte dos meios burgueses da cidade do Porto. Uns eram magistrados, outros homens de negócios, outros militares. Tinham por norma reunir-se ao jantar, no dia 22 de cada mês, e dos estatutos da associação faziam parte uma série de objectivos, dos quais os mais importantes eram libertar a pátria do opressor inglês, personificado pelo marechal William Beresford e fazer regressar o rei do Brasil.
Em 1820, a eclosão da revolução liberal em Espanha precipitou os acontecimentos em Portugal e o Sinédrio passou das discussões políticas à acção. Nos últimos tempos tinham aumentado as aderências ao grupo inicial, sobretudo de militares, o que acabou por ser muito importante para o triunfo do pronunciamento. O grande dia foi marcado para 24 de Agosto de 1820, aproveitando-se a ausência de Beresford no Brasil. A partir daí, obtido o êxito da revolução liberal, a existência do Sinédrio não fazia sentido. Dissolveu-se como associação e alguns dos seus membros entraram para a Junta Provisional do Supremo Governo do Reino.


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