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Poète dans l'âme ? Provérbios, citações, poesia, filosofia
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Membre acharné
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Date d'inscription: septembre 2005
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Carlos Drummond de Andrade - conhecem? -
02/01/2007, 01h32
Amar
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave
de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuido pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
«««««««««««««««««««««««««««
As sem razões do amor
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
«««««««««««««««««««««««««««
Quadrilha
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
«««««««««««««««««««««««««««
Destruição
Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.
Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.
Nada. Ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.
E eles quedam mordidos para sempre.
deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente.
«««««««««««««««««««««««««««
Os ombros suportam o mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
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Dragon
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Localisation: 92 clichy
Âge: 55
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Re : Carlos Drummond de Andrade - conhecem? -
02/01/2007, 23h00
EXCELENTE...
Adoro a maneira quase ironica,com que ele aborda sujeitos por vezes delicados....aqui é delicioso
Quadrilha
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
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aqui estamos quase numa telenovela Brasileira..mas nao haja duvida que temos muito que agradecer aos poetas Brasileiros
pelo novo fôlego que dao a lingua Portuguesa.......
a+
"como se faz que nunca conheceremos as mulheres?
..portanto saimos de dentro delas...e entramos dentro delas" (igol)
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Dragon
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Date d'inscription: juin 2006
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Re : Carlos Drummond de Andrade - conhecem? -
09/01/2007, 22h11
Encontrei este texto,interessante de C. D. de Andrade!!!!ele fala de uma maneira,que a nos os homens...toca no coraçao..!!!
(Tambem eu gosto imenso de estar a ouvir essas palavras,nao todos os 5 minutos,mas de vez em quando,sao palavras que fazem bem...que curam)
"...Quero que todos os dias do ano todos os dias da vidade meia em meia hora de 5 em 5 minutos me digas: Eu te amo.
Ouvindo-te dizer: Eu te amo,creio, no momento, que sou amado.No momento anterior e no seguinte,como sabê-lo?
Quero que me repitas até a exaustão que me amas que me amas que me amas. Do contrário evapora-se a amação pois ao não dizer: Eu te amo, desmentes apagas teu amor por mim.
Exijo de ti o perene comunicado.Não exijo senão isto, isto sempre, isto cada vez mais.Quero ser amado por e em tua palavra nem sei de outra maneira a não ser esta de reconhecer o dom amoroso,a perfeita maneira de saber-se amado:amor na raiz da palavra e na sua emissão,amor saltando da língua nacional,amor feito som vibração espacial.
No momento em que não me dizes:Eu te amo,inexoravelmente sei que deixaste de amar-me,que nunca me amastes antes.
Se não me disseres urgente repetido Eu te amoamoamoamoamo, verdade fulminante que acabas de desentranhar,eu me precipito no caos,essa coleção de objetos de não-amor."
Carlos Drummond de Andrade
"como se faz que nunca conheceremos as mulheres?
..portanto saimos de dentro delas...e entramos dentro delas" (igol)
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Membre acharné
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Re : Carlos Drummond de Andrade - conhecem? -
13/01/2007, 17h34
Citation:
Envoyé par igol
Encontrei este texto,interessante de C. D. de Andrade!!!!ele fala de uma maneira,que a nos os homens...toca no coraçao..!!!
(Tambem eu gosto imenso de estar a ouvir essas palavras,nao todos os 5 minutos,mas de vez em quando,sao palavras que fazem bem...que curam)
"...Quero que todos os dias do ano todos os dias da vidade meia em meia hora de 5 em 5 minutos me digas: Eu te amo.
Ouvindo-te dizer: Eu te amo,creio, no momento, que sou amado.No momento anterior e no seguinte,como sabê-lo?
Quero que me repitas até a exaustão que me amas que me amas que me amas. Do contrário evapora-se a amação pois ao não dizer: Eu te amo, desmentes apagas teu amor por mim.
Exijo de ti o perene comunicado.Não exijo senão isto, isto sempre, isto cada vez mais.Quero ser amado por e em tua palavra nem sei de outra maneira a não ser esta de reconhecer o dom amoroso,a perfeita maneira de saber-se amado:amor na raiz da palavra e na sua emissão,amor saltando da língua nacional,amor feito som vibração espacial.
No momento em que não me dizes:Eu te amo,inexoravelmente sei que deixaste de amar-me,que nunca me amastes antes.
Se não me disseres urgente repetido Eu te amoamoamoamoamo, verdade fulminante que acabas de desentranhar,eu me precipito no caos,essa coleção de objetos de não-amor."
Carlos Drummond de Andrade
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maravilhoso, por sinal.
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