Os movimentos independentistas das colónias portuguesas -
25/11/2007, 19h55
Após a II Guerra Mundial e a criação da ONU, a afirmação do direito inalienável dos povos à independência criou uma conjuntura favorável à emergência de movimentos anticolonialista. É neste contexto que chegam a Lisboa, para cursar as universidades portugueses muitos estudantes africanos: Agostinho Neto que se licencia em Medicina, Amílcar Cabral, em Agronomia, etc.. Em 1944, por iniciativa do ministro das colónias é criada a Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa, com uma delegação em Coimbra que viria a ser segundo informações da PIDE em 1951 alfobre de elementos que desenvolvem campanhas anti situacionistas. Grande parte destes estudantes participou nas lutas académicas de 1962 e saiu clandestinamente de Portugal para ingressar nos movimentos de libertação dos respectivos países.
Em Angola, em 1956, foi criado o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) que ficou sob a presidência de Agostinho Neto e recebia apoio da União Soviética. Em 1959, com o apoio dos Estados Unidos, é criada a UPA (União dos Povos de Angola), liderada por Holden Roberto e que em Março de 1961 desencadearia as primeiras acções armadas no norte de Angola. A UPA daria mais tarde lugar à FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola), com o apoio do Zaire. Em 1966, uma cisão na FNLA resulta na criação da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) liderada por Jonas Savimbi, bailundo e que no início dos anos 70 entrará em compromisso com o exército português.
Em Moçambique sob a liderança de Eduardo Mondlane, é criada em 1962 a FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique). Em 1970, depois do assassinato de Mondlane, Samora Machel assume a presidência da FRELIMO.
Na Guiné, o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde surge em 1956, presidido por Amílcar Cabral.
Em São Tomé e Príncipe também foi constituído um movimento de libertação que nunca chegou a iniciar a luta armada (MLSTP) e em Timor os diversos movimentos de libertação apenas se constituíram depois do 25 de Abril de 1974 (FRETILIN, UDT e Apodeti).