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Le virtuel m'habite...
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O teatro -
25/11/2007, 19h54
Os efeitos negativos da censura, fizeram-se também sentir no teatro. Alguns espectáculos foram cancelados, por o texto ser considerado ofensivo dos costumes e contrário às leis do Estado. Outros houve que foram suspensos após a sua exibição, como aconteceu com as peças de Bernardo Santareno, A Promessa (1957), e a de Miguel Franco, O Motim (1965).
Peças que abordassem temas de carácter social, político, religioso ou erótico eram na generalidade excluídas, o mesmo sucedendo com alguns textos clássicos, ou dramáticos de autores estrangeiros, exibidos com êxito noutros países. Actores como Maria Matos, Alves da Cunha, João Villaret e outros, mostravam os seus dotes em peças sem significado ou de conteúdo pouco interessante. Entre 1929 e 1964, o Teatro Nacional, sob exploração da Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, era extremamente cauteloso na escolha das peças, o que também ocorria com os empresários privados. Todavia, nenhum deles deixou de levar à cena espectáculos que escaparam à censura.
Depois da II Grande Guerra, a censura abrandou, devido à vitória dos países ditos democráticos, voltando a tornar-se mais eficaz e rigorosa logo que começou a guerra colonial. Aquando do governo de Marcello Caetano, notou-se uma abertura e a possibilidade de funcionamento de grupos de teatro independentes, como a Cornucópia e Comuna, assim como de grupos de estudantes universitários, sendo então exibidas algumas das peças que tinham sido proibidas.
Em 1971, foi publicada a lei do Teatro que, apesar dos princípios teóricos, na prática não abolia as restrições, as ameaças e perseguições a encenadores e às companhias de teatro. A própria Sociedade Portuguesa de Autores reclamou da decrescente exibição de peças de autores portugueses. No decurso de 1973, nenhuma peça portuguesa foi representada. O movimento de teatro experimental conseguiu pôr de pé algumas tentativas válidas, mas tímidas, até que a liberdade chegou ao teatro português, revolução de 25 de Abril de 1974.
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