O Movimento das Forças Armadas -
25/11/2007, 19h54
Em Dezembro de 1973, a Comissão Coordenadora do Movimento dos Oficiais das Forças Armadas reuniu na Costa da Caparica e criou uma Comissão Executiva com a finalidade de iniciar a preparação dum golpe militar que derrubasse o Estado Novo português.
Em Março de 1974, reunidos em Cascais, os oficiais passaram a designar o seu movimento por MFA (Movimento das Forças Armadas). Aprovaram um documento intitulado «O Movimento, as Forças Armadas e a Nação», onde era proposta uma solução política para a guerra. Este documento marca definitivamente a politização do movimento dos capitães.
A esta politização não foram estranhos os acontecimentos em Moçambique, ocorridos em Janeiro de 1974, quando um grupo de colonos brancos se manifestou contra o exército português, incapaz de controlar o avanço da guerrilha levada a cabo pela FRELIMO. Perante a hipótese de as Forças Armadas serem apresentadas à nação, pelo governo de Marcello Caetano, como bode expiatório para a incapacidade de resolução do conflito, os oficiais defenderam uma solução política, e não militar, para a guerra colonial. Ainda estava na memória de todos os oficiais o caso da Índia, quando as Forças Armadas foram responsabilizadas pelo governo pelos acontecimentos de 1961.