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O governo de Marcello Caetano -
25/11/2007, 19h53
No Verão de 1968, a queda de uma cadeira, seguida de uma hemorragia cerebral, provocou a incapacidade física e intelectual de Salazar. Em 27 de Setembro desse ano, Marcello Caetano, elemento do sector reformista do Estado Novo, assumiu a presidência do Conselho de Ministros por nomeação do Presidente da República.
A política marcelista, com a introdução de algumas alterações sociais e económicas, deu a esperança de alterações no governo e nas instituições, de solução da guerra colonial e de abertura relativamente à forma ditatorial imposta pelo regime salazarista. Regressaram a Portugal muitos exilados políticos, entre eles o bispo do Porto, que saíra em 1958. A PIDE passou a ter menos poderes, a censura abrandou e a oposição realizou um congresso em Aveiro, em Maio de 1969, onde estiveram presentes 1500 participantes. Acreditou-se em alterações que, na realidade, acabaram por não se concretizar ou pouco significado tiveram, mantendo-se, praticamente, a mesma situação. A este processo deu-se o nome de «evolução na continuidade».
A continuação da guerra colonial e os sacrifícios que ela acarretava, o isolamento de Portugal em relação aos outros países democráticos, levaram a uma ainda maior divisão interna e ao aumento do descontentamento dos portugueses, que veio a manifestar-se nas eleições de Novembro de 1969, para a Assembleia Nacional. As organizações oposicionistas que se prepararam para estas eleições - a CDE (Comissão Democrática Eleitoral) e a CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática) - fizeram uma esclarecedora campanha de propaganda contra o regime.
Na legislatura que sucedeu às eleições de 1969, alguns deputados liberais atacaram o governo. A União Nacional passou a chamar-se Acção Nacional Popular (ANP), mas, na prática, mantinham-se as linhas directrizes do Estado Novo relativamente à guerra colonial - ao envio de tropas, aos custos materiais, às vítimas que causava e às deserções. Continuaram a ser proibidos os partidos políticos e o direito de associação. A censura mantinha-se. Perseguiram-se e prenderam-se muitos oposicionistas. Outros, entre eles Mário Soares, exilaram-se. Destaca-se neste período, concretamente em 1971, a acção de alguns deputados à Assembleia Nacional, como Sá Carneiro, que denunciaram a política de Marcello Caetano, incapaz de concretizar a prometida liberalização do regime. Em 1973, os deputados liberais Sá Carneiro, Pinto Balsemão e Miller Guerra renunciaram às suas funções na Assembleia Nacional.
Os militares revelavam grande desgaste e mesmo desprestígio com a continuação da guerra colonial, que se mantinha havia mais de dez anos, concluindo-se que não era militarmente que a questão do ultramar deveria ser resolvida. As eleições legislativas, ocorridas em 1973, não trouxeram alterações nem melhorias visíveis. Começaram a organizar-se, então, grupos conspiratórios entre os capitães do exército, motivados também por reivindicações de carácter corporativo por parte dos oficiais do quadro permanente, contra o regime e a manutenção da guerra.
O general António de Spínola, que se distinguira como militar e governador da Guiné, foi destituído de chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, juntamente com o general Costa Gomes, que ocupava o cargo de vice-chefe das Forças Armadas. Em Fevereiro de 1974, Spínola publicou o livro Portugal e o Futuro, onde apresentava uma solução federalista para as províncias ultramarinas portuguesas e se manifestava contra a continuação da guerra. O livro de Spínola teve um grande impacto na sociedade portuguesa, tendo-se acentuado, ainda mais, a oposição à guerra colonial e ao regime. Todos estes e muitos outros acontecimentos se conjugaram e precipitaram a ruptura e a queda do regime.
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"La seule chose promise à l'échec est celle que l'on ne tente pas"
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