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Le virtuel m'habite...
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O desporto no Estado Novo -
25/11/2007, 19h52
Salazar via no desporto uma forma da juventude não só cultivar o corpo, mas também se afastar da política. É muito conhecido o seu desabafo, em 1933, no encerramento do Congresso dos Clubes Desportivos: «Que pena me faz saber aos domingos os cafés cheios de jovens, discutindo os mistérios e problemas da baixa política, e ao mesmo tempo ver deserto esse Tejo maravilhoso, sem que nele se reúnem ou velejem, sob o céu incomparável, aos milhares, os filhos deste país de marinheiros».
É este enquadramento do desporto na ordem política que vai nortear o apoio dado pelo Estado Novo às práticas desportivas. Assim, em 1935 é criada a FNAT, destinada a organizar os lazeres dos trabalhadores, em 1936, o ministro da Educação, Carneiro Pacheco, lança um projecto de «educação nacional», integrando a juventude escolar na Mocidade Portuguesa, entretanto criada. Em 1940 é criado o Instituto Nacional de Educação Física que, em 1942, forma 30 docentes, e em 1944 é inaugurado o Estádio Nacional, que fora prometido por Salazar no célebre discurso de 1933.
No desporto profissional, o hóquei em patins é a glória nacional - no final dos anos 70 festeja quatro títulos mundiais consecutivos: de 1947 a 1968, as várias selecções nacionais conquistaram dez títulos mundiais e cinco títulos europeus. Também o ciclismo nacional consegue marcar lugar em competições europeias: em 1955, Alves Barbosa consegue o quinto lugar na Volta à França.
Mas nem todo o desporto profissional é assim acarinhado pelo poder e no I Congresso Nacional de Futebol, em 1938, os clubes queixam-se das suas dificuldades. Apesar disso, o número de sócios dos clubes desportivos aumenta e, em 1950, o Benfica ganha a Taça Latina. Em 1960 chega ao Benfica Eusébio, que acabou por ser reconhecido internacionalmente como um dos melhores futebolistas de sempre e ajudou o clube a ganhar vários troféus. Claro que o regime se associa às vitórias do futebol, criando em 1960 medalhas de mérito desportivo e valorizando a presença de desportistas africanos, como símbolo da nação una do «Minho a Timor». Os críticos apelidam Portugal do país dos três «efes»: Fátima, Futebol e Fado, mas a contestação também chegou ao desporto e, em 1969, na final da Taça de Portugal, no jogo entre o Benfica e a Académica de Coimbra, as bancadas enchem-se de cartazes exigindo uma «Universidade Livre». Claro que a Associação Académica de Coimbra é encerrada pelo governo, semanas depois.
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