O descontentamento dos capitães -
25/11/2007, 19h52
O arrastar da guerra colonial, sem fim à vista após 13 anos de confrontos, tornou necessários mais oficiais subalternos e capitães. Assim se explica a publicação do decreto 353/73, que visava colmatar essa lacuna.
A aplicação deste decreto prejudicava os oficiais portugueses do quadro permanente, na medida em que possibilitava aos oficiais milicianos oriundos do quadro de complemento a frequência dum curso intensivo da Academia Militar durante 2 semestres. Caso essa frequência fosse feita com aproveitamento, esses oficiais passariam para os quadros permanentes das armas de Infantaria, Artilharia e Cavalaria.
Os oficiais milicianos seriam beneficiados na progressão da carreira, visto os cadetes oriundos da Academia Militar necessitarem de 4 anos para serem promovidos a alferes. Na prática, os primeiros ganhariam dois anos em relação aos segundos. Esta situação originou algumas reacções de descontentamento dos oficiais do quadro permanente, reunindo alguns deles em Bissau, em Agosto de 1973.
Em Setembro de 1973, mais de 100 oficiais das Forças Armadas reuniram-se em Évora para deliberarem acerca do processo de contestação iniciado em Bissau. Decidiram enviar uma carta de protesto, assinada por dezenas de camaradas de armas, ao Presidente da República e a Marcello Caetano, reclamando a suspensão do decreto. Já com o decreto suspenso, os capitães continuaram a reunir-se. Em Novembro desse ano, em S. João do Estoril, ouviu-se pela primeira vez falar do derrube do regime português pela força. O que tinha começado por ser uma contestação de carácter profissional, passava a uma fase de carácter nitidamente político.
Em Dezembro de 73, reunidos em Óbidos, os capitães passaram a designar o seu movimento por MOFA (Movimento dos Oficiais das Forças Armadas). Elegeram uma Comissão Coordenadora de 19 membros, composta, entre outros, por Vasco Lourenço, Salgueiro Maia e Otelo Saraiva de Carvalho.