Dificuldades económicas nos anos 60 -
25/11/2007, 19h47
A estratégia dos anos 50, que assentava na convicção de que o crescimento industrial mobilizaria o crescimento económico em geral, revelou-se ineficaz nos anos 60, porque se alteraram os dois estímulos em que assentava: reserva de mercados e baixo preço da mão-de-obra e do capital. O acentuado desnível salarial provocou um extraordinário surto migratório e emigratório, principalmente das zonas rurais para zonas urbanas, centros industriais e de serviços e para o estrangeiro. Este processo desencadeou a escassez de mão-de-obra agrícola e obrigou ao aumento de salários.
Outro dos factores iniciadores da desestabilização foi, sem dúvida, a guerra colonial em África, a partir de 1961. Esta, para além de elevar o défice (mais de 50% das receitas públicas estavam destinadas à guerra), conduziu ao adiamento de algumas soluções para o desenvolvimento como o projecto de criação do mercado único português. Embora o Plano Intercalar de Fomento (1965-67) e o III Plano de Fomento (1968-1973) procurem, ainda no quadro da «renovação na continuidade», manter os grandes objectivos de prosseguimento da modernização da economia e indústria portuguesas, é já claro, mesmo para os governantes, que «temos, e rapidamente, que mudar de via para nos industrializarmos a fundo».