Assalto ao paquete Santa Maria -
25/11/2007, 19h46
No dia 22 de Janeiro de 1961, o navio de luxo português «Santa Maria» foi assaltado de surpresa em águas territoriais das Caraíbas pelo capitão Henrique Galvão, com a participação de um outro capitão, Jorge Sottomayor, que dirigia um grupo de exilados políticos luso-espanhóis.
O plano de assalto ao «Santa Maria», em que também participou Humberto Delgado, inseria-se num projecto mais alargado para levar à prática a luta armada contra o regime salazarista. O assalto ao paquete e o seu desvio devia ter como destino Luanda, com o objectivo de iniciar aí um movimento contra a ditadura. Ao «Santa Maria» foi dado o nome de «Santa Liberdade». O navio levava a bordo 350 pessoas e, no assalto, morreu um oficial, ficando outro ferido. Durante dois dias e duas noites ignorava-se o paradeiro do navio e a expectativa era enorme. Salazar tentou conseguir o apoio e intervenção de alguns países da NATO neste incidente mas, depois de algumas indecisões, estes acabaram por não actuar.
Com este assalto, conseguiu-se chamar a atenção da comunidade internacional para a política interna e a política colonial do governo português. Os meios de comunicação da época deram-lhe uma extraordinária relevância e a repercussão foi grande, devido à surpresa e ao ineditismo da operação. O «Santa Maria», depois de ter estado ao largo do Brasil, em águas internacionais, aportou no Recife. Henrique Galvão entregou o navio às autoridades brasileiras em troca de asilo político. Este episódio fez com que Portugal ficasse mais desacreditado e isolado, pela política colonialista que continuava a prosseguir.