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As eleições presidenciais -
25/11/2007, 19h46
As eleições presidenciais de 1949 permitiram mais uma vez à oposição que se manifestasse no sentido de denunciar os males do regime salazarista. O general Norton de Matos, candidato proposto pelo MUD, levou a efeito uma campanha ousada, mas acabou por desistir, por não se verificarem condições para a liberdade da votação. O general Óscar Carmona, que desde 1928 era sucessivamente reeleito, foi uma vez mais chamado a ocupar o seu cargo de presidente da República. No seguimento destas eleições a repressão acentuou-se.
A morte do general Óscar Carmona, em 1951, obrigou, nesse mesmo ano, à realização de novas eleições. A oposição apresentou Rui Luís Gomes pelo Partido Comunista e Quintão Meireles (pela oposição não comunista) como candidatos à presidência da República, contra o candidato proposto pelo regime, o general Craveiro Lopes, que foi eleito em Agosto de 1951. Data desse ano a revisão da Constituição de 1933 e do Acto Colonial, pela qual as colónias portuguesas se passaram a intitular províncias ultramarinas.
Em 1958, novamente se realizaram eleições presidenciais e Salazar, não aceitou a recandidatura do general Craveiro Lopes que, no decurso do seu mandato, se mostrara demasiadamente reformista. O candidato apresentado pelo regime foi o almirante Américo Thomaz, ministro da Marinha.
A oposição apresentou as candidaturas de Arlindo Vicente (Partido Comunista) e do general Humberto Delgado (não comunista), anterior apoiante do salazarismo e que, à época desempenhava as funções de director-geral da Aeronáutica Civil. Mas Arlindo Vicente, veio a desistir a favor do general Humberto Delgado e toda a oposição se congregou em torno deste candidato.
A candidatura do general Humberto Delgado despertou por todo o país um enorme entusiasmo, o que revelou o descrédito do regime. Mesmo sem a garantia de eleições livres, Humberto Delgado apresentou-se como candidato, pelo que a campanha eleitoral decorreu em ambiente de autêntica euforia, para a qual contribuiu a extraordinária adesão popular, traduzida em manifestações, comícios exaltados e recepções apoteóticas. Apesar das atitudes agressivas da polícia, Humberto Delgado não se deixou intimidar e revelou uma excepcional coragem, pelo que foi apelidado de «general sem medo». Os resultados oficiais das eleições deram a vitória ao candidato Américo Thomaz, mas apesar das fraudes eleitorais, Humberto Delgado ainda recolheu 25% dos votos. O general Humberto Delgado contestou as eleições e afirmou ser ele o vencedor, pois a sua derrota era devida à viciação dos cadernos eleitorais e ao não controlo das urnas de voto pela oposição. Perseguido pela PIDE, Humberto Delgado, refugiou-se na embaixada do Brasil, em Lisboa, e foi forçado a exilar-se, primeiro no Brasil e, depois, na Argélia. No exílio, manteve activa a sua oposição à ditadura salazarista, participando no plano de captura do navio «Santa Maria», efectivado pelo capitão Henrique Galvão e, em 1962, no plano do golpe militar de Beja. Em 1965, quando tentava entrar clandestinamente em Portugal, foi morto pela PIDE, em Espanha.
Depois do susto causado pela campanha eleitoral de Humberto Delgado, alterou-se a legislação de modo a evitar a eleição directa e, em 1965, o almirante Américo Thomaz é reeleito por um colégio eleitoral restrito.
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"La seule chose promise à l'échec est celle que l'on ne tente pas"
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