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Le virtuel m'habite...
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A revolução de 28 de Maio de 1926 -
25/11/2007, 19h45
Apesar do governo de António Maria da Silva ter saneado as finanças, combatido o bolchevismo, desarmado os arruaceiros e pregado a «união nacional» havia um tal descrédito do parlamentarismo que não só os monárquicos como os fascistas, mas os próprios republicanos, de esquerda através da Seara Nova e de direita do Integralismo Lusitano, reclamavam «um governo nacional extraordinário», «um governo forte» como defendia Gomes da Costa.
Assim se explica o êxito imediato do pronunciamento de Braga, a 28 de Maio de 1926. Se o golpe militar preparado em Lisboa pelo comandante Mendes Cabeçadas e Armando Ochoa parece gorar-se quando os dois foram presos em Santarém, no norte o movimento dirigido por Alves Roçadas e, pela morte deste, depois por Gomes da Costa, ambos veteranos das campanhas africanas, rapidamente conquista a adesão dos militares e do país. No dia 30 de Maio o movimento dispunha já também de apoios de algumas forças políticas e era recebido com expectativa pelos partidos.
A 30 de Maio, o governo em exercício pediu a sua demissão e o presidente Bernardino Machado renuncia e entrega o poder constitucionalmente a Mendes Cabeçadas. Mas logo começaram as desinteligências entre os chefes e tendências do movimento. Em Coimbra as forças do norte pressionam Gomes da Costa e a 3 de Junho aparece a Junta Governativa formada pelo triunvirato: Mendes Cabeçadas, Gomes da Costa e general Óscar Carmona.
De Coimbra, representando os meios católicos, vêm para o governo os professores: Oliveira Salazar, Mendes dos Remédios e Manuel Rodrigues, respectivamente para as Finanças, Instrução Pública e Justiça. Mas o processo ainda não terminara e primeiro Cabeçadas e depois Gomes da Costa foram forçados a abandonar o poder. A 7 de Julho de 1926 o general Carmona, político mais precavido e conhecedor dos meandros na nova situação política tomou a chefia do governo e quatro meses depois (16 de Novembro de 1926) um decreto nomeava-o presidente da República interino. Em 28 de Março de 1928 é eleito em sufrágio universal presidente da República, cargo que ocupou até à sua morte em 1951.
Com o golpe de 28 de Maio de 1926, foi instaurada a ditadura militar. Mas a estabilidade, em nome da qual se fizera o golpe militar tardava em chegar. Sucederam-se oito governos, vários golpes palacianos e organizou-se a resistência republicana antiditatorial.
Carmona e Sinel de Cordes, ministro das Finanças, não conseguiram resolver os problemas mais prementes do país, nem reorganizar as finanças, ou equilibrar o orçamento. O défice passou de 50 000 contos, em 1922, para 642 000, em 1927. A fim de resolver a questão financeira, foi solicitado um empréstimo de 12 milhões de libras que não foi efectivado, mercê das condições impostas pela Sociedade das Nações, que ao tempo foram consideradas uma afronta para Portugal. O descontentamento generalizava-se. Monárquicos, militares, e partidários do fascismo queriam a mudança radical do regime. A repressão de alguns direitos individuais dos cidadãos, a prisão de pessoas, o estabelecimento da censura à imprensa, a extinção da Carbonária, a dissolução do Congresso da República e da Confederação Geral do Trabalho, fez eclodir vários elementos revolucionários reviralhistas. Nesse clima de quase guerra civil latente destacam-se as revoltas de 3 a 7 de Fevereiro de 1927, no Porto, 7 a 10 em Lisboa; revolta do Castelo em 20 de Julho de 1928; revolta da Madeira em 4 de Abril de 1931 e 26 de Agosto de 31, em Lisboa. Este clima de luta política era apoiado pelo movimento operário e sindical que sofria os efeitos da crise económica geral (1929) e pelo movimento estudantil que desencadeara greves académicas em 1928 e 1931.
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