Em toda a história da guerra colonial, o regime português não quis discutir o problema das colónias. Depois do golpe falhado de Botelho Moniz (1961), Salazar afastou a oposição militar à guerra nas colónias e mandou avançar tropas para Angola «rapidamente e em força». Desde então, os meios e os contingentes enviados para África aumentaram constantemente, tal como aumentou o número de fugitivos da guerra.
Depois da queda de Salazar, já durante o governo de Marcello Caetano, chegou a pensar-se numa «autonomia progressiva» para os territórios africanos, ou numa solução federalista, defendida pelo general Spínola. Estas soluções eram muito moderadas para os nacionalistas africanos e incompatíveis com a evolução da guerra. Em Portugal, nos meios militares, na Igreja católica e na sociedade civil, a contestação à guerra colonial acabou por confundir-se com a oposição ao regime e a crítica internacional era cada vez maior. Só depois de 25 de Abril de 1974 foi encontrada uma solução para os conflitos.