A oposição antifascista
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Par défaut A oposição antifascista - 25/11/2007, 19h43

A primeira fase da luta oposicionista à ditadura militar, chamada de «reviralho», congrega republicanos, anarco-sindicalistas e comunistas e abrange o período de 1926 a 1931, com atentados e revoltas em 1927, 1928 e 1931. Em 1935, o PCP, já na clandestinidade, organiza a Frente Popular Portuguesa com alguma influência nos meios republicanos exilados e na juventude estudantil e intelectual, apoiando o governo republicano na Guerra Civil de Espanha. Mas é só a partir de 1943 e até 1949 que a unidade antifascista contra o Estado Novo se afirma. Assim se constitui, em 1943, o Movimento de Unidade Nacional Antifascista (MUNAF), presidido pelo general Norton de Matos e com José Magalhães Godinho e Fernando Piteira Santos, entre outros, na Comissão Executiva.
A ele se ficou a dever a união de sectores opositores do regime, de tendências políticas diferentes, embora a liderança e organização fosse do Partido Comunista Português. O movimento caracterizou-se pela forma notável como combateu e denunciou o salazarismo, para o que contou com a preciosa ajuda da imprensa clandestina e do seu próprio órgão de informação, também ele clandestino, a Libertação Nacional.
Em Outubro de 1945, personalidades socialistas e republicanas que pertenciam ao MUNAF fundam o Movimento de Unidade Democrática (MUD), para concorrer às eleições de Novembro. Da Comissão Central fazem parte José Magalhães Godinho, Teófilo Carvalho dos Santos, Adão e Silva, Gustavo Soromenho, entre outros. São postas a correr listas de apoio ao Movimento que têm uma enorme adesão, mas que são apreendidas pelo governo. A campanha eleitoral mobilizou um elevado número de adeptos e assumiria grande importância na luta contra a ditadura.
No entanto, nas eleições para a Assembleia Nacional, realizadas em Novembro de 1945, e que o governo declarou serem tão «livres como na livre Inglaterra», todos os candidatos da União Nacional foram eleitos. A oposição teve então consciência da sua débil força e da sua insuficiente eficácia, perante o apoio que os aliados ocidentais davam a Salazar. A repressão e as perseguições aumentaram de uma forma violenta. Apesar disso, em Abril de 1946 é fundado o MUD Juvenil, cujos dirigentes são Mário Soares, Salgado Zenha, Octávio Pato e Júlio Pomar, entre outros. O PCP, entretanto já aceite no MUD, hegemonizava os dois movimentos, com Bento de Jesus Caraça, Mário Azevedo Gomes e outros, na nova comissão central. Em 1948, o MUD é banido e os seus dirigentes presos ou afastados dos cargos públicos que desempenhavam, como foi o caso de vários professores universitários. Lisboa defrontou-se com uma grave crise académica.
Em 1949, a oposição ainda propõe a candidatura unitária de Norton de Matos às eleições presidenciais, mas eram já notórias as divergências entre comunistas e republicanos. A partir daí é a ruptura e o Partido Comunista cria o seu próprio campo de oposição (Movimento Nacional Democrático). A oposição não comunista (Mário Soares, António Sérgio, Jaime Cortesão e outros) cria a Acção Democrata-Social. A partir de 1956 e até 1968 é tentada uma reaproximação para a unidade da oposição e assim se realiza em 1956, em Aveiro, o I Congresso Republicano, autorizado pelo governo.


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