A música ligeira nacional
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Par défaut A música ligeira nacional - 25/11/2007, 19h42

Com o advento do cinema sonoro em 1931, com os filmes A Severa e A Canção de Lisboa (1933), a música ligeira portuguesa encontrou no cinema um meio eficaz de divulgação. Inaugurou-se, assim, um período de franca expansão, proposto pelas comédias musicais correspondentes ao período dourado do cinema português, assinado por cineastas como Leitão de Barros, Chianca Garcia, Artur Duarte, António Lopes Ribeiro, Ribeirinho e Cotinelli Telmo. As melodias da banda sonora dos filmes eram rapidamente assimiladas pelo público, elevando ao êxito autores e intérpretes como Raul Portela e José Galhardo, Frederico Valério, Fernando Carvalho, Raul Ferrão, Frederico de Freitas, António Melo, Beatriz Costa, entre outros. Entre as canções mais conhecidas estão Fado da Severa, Canção da Roupa Branca ou Cantiga da Rua, entre muitas mais. O fado foi visto como a canção de vagabundos e boémios e, durante a ditadura militar, chegou a ser proibido cantá-lo à noite nas ruas, passando a ouvir-se às escondidas, em tascas e tabernas .

A perseguição ao fado continuou nos princípios do Estado Novo, mas este acabou por se tornar na chamada canção nacional e aproveitado como canção patriótica, defendendo o que era visto como caracteristicamente português e mesmo a ideologia do Estado Novo. O fado passou a ser cantado na rádio e foi difundido em filmes de grande sucesso. Destacaram-se na época, entre outros intérpretes, Amália Rodrigues e Hermínia Silva.
A intervenção e progressiva afirmação da rádio, a partir dos anos 50, provocaram uma revolução de impacto geral. A rádio foi rapidamente transformada em veículo de divulgação e simultaneamente de imposição de gosto e tendência na área musical.
Em função dos condicionalismos determinados pelo Estado Novo, as actividades culturais foram severamente afectadas por um período de fraca criatividade e despojamento de inovação. Reflectindo a conjuntura política da época, marcada pelo isolamento do país relativamente a outras realidades, a música ligeira manteve-se distante de influências estrangeiras sob o argumento institucional de, assim, se servirem interesses e valores nacionais.
Acentuando o desfasamento relativamente aos diferentes contextos musicais internacionais, a música ligeira portuguesa desenvolveu o chamado nacional-cançonetismo, com amplo apoio das instituições governamentais e culturais, como a Emissora Nacional, onde funcionava o Centro de Preparação de Artistas de Rádio, que foi responsável por mais de duas gerações de músicos e cantores. A ascenção da rádio em Portugal produziu grandes vedetas que se tornaram fenómenos de popularidade imediata, entre os quais se destacam, para além de outros já referidos, Francisco José, Fernando Farinha, Max, António Mourão, Maria de Lurdes Resende e Tony de Matos. Como autores, destacaram-se Nóbrega e Sousa e Ferrer Trindade.
Depois do arranque das emissões regulares de televisão, nos finais da década de 50, a Radiotelevisão Portuguesa foi progressivamente conquistando espaço à rádio junto das audiências. O Festival da Canção, cuja primeira emissão foi realizada no início da década de 60, passou a funcionar como o grande acontecimento nacional na área da música ligeira, revelando novos talentos e abrindo-lhes a possibilidade de uma carreira, facilitada pelo imediatismo do espectáculo televisivo. Neste contexto surgem intérpretes como Madalena Iglésias, Simone de Oliveira ou António Calvário. Entretanto, a década ficaria marcada por convulsões sociais e culturais de âmbito geral, iniciadas pelos movimentos estudantis, sob pressão dos acontecimentos externos à escala europeia. Integrados neste movimento de contestação, surgem os primeiros grupos de música rock, segundo adaptações de modelos estrangeiros. Neste contexto salientam-se os Sheik e o Quarteto 1111. Posteriormente, desenvolveu-se a necessidade de criação de propostas originais defendidas por músicos como Fernando Tordo e Ary dos Santos (nos textos) ou José Cid, entre outros. De destacar também o papel da chamada música de intervenção, que, sobretudo a partir dos anos 60, se afirmou na oposição política ao Estado Novo.


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