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Le virtuel m'habite...
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A modernização da sociedade -
25/11/2007, 19h41
A partir da década de 50, grandes mudanças estruturais vão lentamente alterar mentalidades, modos de vida e comportamentos da sociedade portuguesa. A industrialização, o abandono dos campos e a emigração, a abertura à Europa e a guerra colonial produziam mutações profundas na sociedade tradicional portuguesa.
A emigração levou ao abandono dos campos. Em contrapartida, o regresso sazonal de emigrantes, de primeira e segunda gerações, exibindo uma situação económica desafogada, e consequentemente luxo e ostentação, protagonizados pela inovação na forma de ser e estar, reflexo dos hábitos adquiridos no estrangeiro, conduziram à alteração dos usos e costumes dos que ficaram. O que se prolongou à paisagem e à arquitectura. A subida em flecha da emigração cria dificuldades de mão-de-obra agrícola e até de alguns sectores industriais, o que obriga ao aumento dos salários e, a partir de 1965, da inflação.
Nos centros urbanos, as alterações foram ainda mais acentuadas devido, principalmente, ao desejo de mudança social e política da juventude, ao acesso aos meios de comunicação massiva facultada pela televisão que transmitia imagens do movimento hippie, defensor da paz, amor livre e igualdade dos sexos, e dos movimentos feministas.
Sem dúvida que a facilidade de comunicação e circulação, rapidamente difundida, contagiou a juventude europeia em geral e, a portuguesa em particular, reflectindo-se não só no comportamento da sociedade tradicional, mas também na política, com influência dos ideais de esquerda. Estes movimentos puseram em causa a maioria dos preconceitos sociais, apelavam à luta pela paz, pela igualdade entre homem e a mulher e por novas relações na família e nas instituições escolares. A geração de 60 norteou a profunda mudança na sociedade portuguesa, que se veio a reflectir na evolução política do País, nomeadamente na contestação ao regime do Estado Novo.
A industrialização dos anos 50 a 70, no eixo litoral Braga-Lisboa-Setúbal e o desenvolvimento dum moderno sector de serviços faz crescer nas grandes cidades um novo proletariado industrial, uma numerosa pequena burguesia urbana que ganha melhor e consome mais. A aproximação à Europa (adesão à EFTA em 1960, Acordo de Comércio Livre com a CEE em 1972) fez crescer as exportações e aumentar os salários e permitiu a entrada de capitais estrangeiros para o desenvolvimento de actividades de exportação e reexportação, utilizando a mão-de-obra barata portuguesa.
Mas em vésperas do 25 de Abril de 1974, a continuação da guerra colonial e a crise económica derivada do choque petrolífero de 1973 impediam reformas modernizadoras da economia indispensáveis para travar a crescente agitação social e estudantil que não escondia um ambiente de grande tensão política e social.
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