A guerra colonial
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Par défaut A guerra colonial - 25/11/2007, 19h38

Em Angola Foi a União dos Povos de Angola (UPA), futura Frente Nacional de Libertação de Angola, FNLA, de Holden Roberto que, em 1961, desencadeou o confronto armado contra a presença portuguesa naquele território. Em 4 de Fevereiro de 1961 grupos nacionalistas assaltaram a cadeia de Luanda e em 15 de Março a UPA inicia vários actos de terrorismo e guerrilha nos Dombos, no norte de Angola. Salazar decidiu enviar para Angola tropas «rapidamente e em força». Mas a guerrilha não se deixou atemorizar e foi-se estendendo a outras regiões. Portugal continuou a enviar tropas e até a recrutá-las entre as populações africanas (em 1974 eram 70.000).
Os primeiros anos da guerra foram liderados pela UPA, mas a partir de 1963, o MPLA abre mais duas frentes de guerra: em Cabinda e no Leste de Angola. A UNITA fundada em 1966, envereda também pela luta armada, mas nos anos 70 colabora com o exército português contra o MPLA. A evolução da guerra obrigou ao recurso a novos métodos de actuação, como os bombardeamentos aéreos e a utilização de tropas especiais africanas especialmente preparadas para a guerra de guerrilha. As divisões entre etnias e as divisões políticas entre os independentistas levaram a que, por altura do 25 de Abril de 1974, a situação militar em Angola fosse relativamente favorável aos portugueses.
Na Guiné O Partido Africano Para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), dirigido por Amílcar Cabral até ao seu assassinato em 1973 e, posteriormente por Aristides Pereira, conduziu a luta contra o colonialismo português. Apesar da estratégia unionista, que abrangia os dois territórios, e face à geomorfologia das ilhas de Cabo Verde, foi no território guineense que a partir de 1963, o combate se travou. Estrategicamente bem posicionado e organizado, cedo o PAIGC libertou importantes parcelas territoriais e organizou administrativamente as populações. A grande progressão militar do exército rebelde, no final da década de 60 e a utilização de mísseis terra-ar, reduziu e dificultou a operacionalidade da força aérea portuguesa, a partir de 1973. O general Spínola, à frente das tropas portuguesas na Guiné, de 1968 a 1973, não conseguiu inverter a situação e em Setembro de 1973, em Madina do Boé, zona libertada pelo PAIGC, foi proclamada a independência que foi de imediato reconhecida por cerca de 80 estados.
Em Moçambique Chefiada por Eduardo Mondlane, assassinado em 1969, a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) dominou a guerra colonial contra os portugueses, naquele território. Em Setembro de 1964 seriam iniciadas as acções armadas no distrito de Cabo Delgado, prosseguindo posteriormente para sul. A partir de 1970, foi Samora Machel quem conduziu a guerrilha moçambicana. Detentor de grandes meios militares, conseguiu travar as tentativas do exército português e avançar para o sul. Em 1970, a operação «Nó Górdio», concebida pelo general Kaúlza de Arriaga é derrotada pela FRELIMO que atravessa o rio Zambeze e leva a guerra a Manica e a Sofala. Assim, no início de 1974, a situação militar era favorável aos rebeldes, apesar das declarações triunfantes dos militares e do governo português. Entretanto o testemunho de missionários europeus, em Moçambique, sobre os massacres de populações civis cometidos pelos portugueses na província de Tete, em especial o de Wiriamu, ocorrido em 1972, levou a imprensa internacional a denunciar os horrores da guerra colonial e a aumentar a pressão sobre o regime português.


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