O Estado Novo utiliza a política educativa para inculcar a sua doutrina, nos espaços escolares, mas também na família e na comunidade. A escola nacionalista integra uma forte inculcação ideológica e de doutrinação moral, interiorizando um modelo de sociedade unificada no plano político, simbólico e cultural.
Para conseguir esse modelo de sociedade adoptam-se algumas medidas: compartimentação do ensino, pela separação dos sexos e contra a escola única; realismo pragmático, nivelando por baixo as aprendizagens escolares; centralismo administrativo através de mecanismos de inspecção e controlo do corpo docente; desprofissionalização do professorado, pela desvalorização das bases profissionais e científicas da actividade docente.
António Carneiro Pacheco, ao tomar posse do ministério da Instrução Pública em 1936, reconhece que o Estado Novo tinha feito pouco pelo ensino e toma a seu cargo a ofensiva da educação: o próprio ministério muda o seu nome para Educação Nacional, impõe-se o livro único; cria a Mocidade Portuguesa e a Obra das Mães pela Educação Nacional. A partir de 1952, com o ministério de Pires da Silva, lança-se a Campanha Nacional de Educação de Adultos de Pires de Lima. Mas apesar do esforço, em 1960 ainda tínhamos uma taxa de analfabetismo superior a 30 por cento, para a população maior de sete anos. Portugal continuava na cauda da Europa.