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Le virtuel m'habite...
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A crise política de 1958-1962 -
25/11/2007, 19h35
Após as eleições presidenciais de 1958, o Estado Novo redobrou as medidas repressivas e como resposta, intensificaram-se as manifestações de desagrado pela política salazarista.
Em 13 de Julho de 1958, o bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, fazia chegar a Salazar uma carta, onde tecia duras criticas às restrições da liberdade e manifestava a sua preocupação pelas péssimas condições sociais em que o povo português vivia. A ousadia, valeu-lhe o exílio, donde só regressou após a morte de Salazar. Entre 1958 e 1962, o descontentamento face à situação política vigente denunciava a crise do regime. O exílio de muitos portugueses; a tentativa de uma conspiração militar, em Maio de 1959; o assalto e desvio do paquete «Santa Maria», em 23 de Janeiro de 1961, levado a efeito por exilados políticos e liderado pelo capitão Henrique Galvão (antigo adepto do regime) e planeado de conivência com o general Humberto Delgado; a sublevação de Abril de 1961, de conluio com elementos das Forças Armadas, entre os quais se encontrava o ministro da Defesa, general Júlio Botelho Moniz, que intentou junto do Presidente da República a demissão de Salazar; em 1 de Janeiro de 1962, a revolta militar do quartel de Beja, chefiada pelo então capitão Varela Gomes, foram alguns dos movimentos significativos efectivados pela oposição. A par de todas estas movimentações esteve também a crise estudantil de 1962, que iniciada em Lisboa se repercutiu a nível nacional, na sequência da qual resultou a prisão de cerca de 1000 estudantes e a demissão voluntária ou imposta de vários docentes, entre os quais se encontrava, Marcello Caetano.
No ano anterior, em 1961, dois importantes acontecimentos tinham já abalado profundamente as estruturas do Estado Novo. O primeiro, foi a ocupação, pela União Indiana, dos territórios de Goa, Damão e Diu e de outras pequenas parcelas que constituíam o Estado Português da Índia; o outro consistiu no conjunto de revoltas desencadeadas em Angola e que conduziu à desgastante guerra colonial. Alargada a três frentes, Angola, Guiné e Moçambique, a guerra colonial viria no prazo de alguns anos a provocar a queda do regime, a divisão no seio da própria estrutura do estado e o incómodo isolamento de Portugal na comunidade internacional, ao teimar pela não resolução pacífica do problema colonial.
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