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A arquitectura -
25/11/2007, 19h34
Logo na década de 30, o Estado Novo, com o saneamento financeiro conseguido por Salazar, lança-se numa política de obras públicas. Duarte Pacheco que, de 32 a 37 é ministro das Obras Públicas e Comunicações e desde 38 ocupa o cargo de presidente da Câmara de Lisboa, é o grande incentivador da arquitectura pública da época. Na primeira fase o regime não pôs entraves ao modernismo de arquitectos como Pardal Monteiro autor do Instituto Superior Técnico, Instituto Nacional de Estatística e Igreja de Nossa Senhora de Fátima, Jorge Segurado que projecta a Casa da Moeda e o Liceu Filipa de Lencastre, Cristino da Silva (Liceu de Beja), Keil do Amaral (1º Prémio do Concurso para o Pavilhão de Portugal da Exposição Internacional de Paris), arquitecto do Aeroporto de Lisboa, da Estufa Fria, do Metropolitano, da Feira das Indústrias, Rogério de Azevedo (garagem do Comércio do Porto) e Januário Godinho (Armazém do Peixe). Mas, a exemplo de que se passava nos regimes fascistas (Alemanha e Itália) e até na URSS, o Estado Novo envereda por uma arquitectura nacionalista, que enaltecesse os valores do «portuguesismo» e fosse a imagem do regime.
Com o apoio do Director do secretariado de Propaganda Nacional, António Ferro, as encomendas do Estado passavam a obedecer a um «estilo português suave» caracterizado por um tradicionalismo arcaizante, elementos da arquitectura do século XVIII, monumentalidade retórica. A Exposição do Mundo Português, em 1940, revela um eclectismo, onde se misturam alguns valores modernos com uma imponência fascizante. O ponto de viragem nesta arquitectura do regime, dá-se em 1948, com o I Congresso Nacional de Arquitectura.
Nos anos 50, a rápida e corajosa renovação na estética arquitectónica, comparticipada pelos arquitectos Januário Godinho, a quem se deve a concepção de pousadas, palácios de justiça e barragens hidroeléctricas, João Andersen, o edifício da Fundação Gulbenkian, Arménio Rosa, Carlos Ramos, praça do Município da Covilhã e Cassiano Branco, o Éden Teatro, em Lisboa, hoje recuperado. Nos anos 60, surgiram grandes projectos, como os do bairro dos Olivais, em Lisboa, e arquitectos como Rafael Botelho, Pires Martins, Palma de Melo, Nuno Teotónio Pereira, Nuno Portas, Tainha, Braula Reis ou Chorão Ramalho. Com projectos de grande qualidade, os arquitectos revelação foram Siza Vieira e ainda os ligados à «Escola do Porto», sob a direcção de Carlos Ramos.
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