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Vieux gourou
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Re : Reformas em Portugal : das mais baixas da Europa ... -
03/12/2007, 22h06
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Quem é António Jorge Ribeiro da Cunha?Uma pessoa como todas as outras, simples, quetem um trabalho e uma família e que gosta davida.E o trabalho é?Sou professor universitário. Dirijo, actualmente,o Instituto de Geociências da Faculdade, emLausanne, sou formado em Economia eGeografia.Trabalho nesta Faculdade há 4 anos;depois do percurso habitual, na carreira docen-te, hoje, sou aqui professor catedrático.P - Como é esta Faculdade e como é aqui, oseu dia-a-dia?É a Faculdade mais jovem da Universidade.Nasceu há dois anos, reagrupando váriosInstitutos de Investigação e de Ensino naquiloa que se chama Géosciences, Ciências da Terra,das quais a Geografia.A ideia que deu nascença a esta Faculdade foi,ao fim e ao cabo, criar um ensino interdiscipli-nar que possa instrumentar, os nossos estudan-tes, de meios teóricos e métodos que lhes per-mitam pensar no meio ambiente de maneirainterdisciplinar e, numa perspectiva transversal,que reuna os argumentos das Ciências Naturaise Sociais e que se reveja, ao fim e ao cabo, noambiente como resultado das intervençõeshumanas reguladas por políticas ambientais,políticas do território e de ordenamento urba-no. Tudo isto com o objectivo de melhorar ascondições naturais e a qualidade de vida. É estaa filosofia desta Faculdade e do Instituto deGeografia onde estou integrado. Agora, quaisos ensinos que ministramos? Há dois tipos deensinos especializados: Ciências Naturais eCiências da Terra: geo-logia, hidrologia, vul-canologia... e ciênciashumanas. A Geografiaé uma ciência social.Há também todo umconjunto de ensinosvirados para as políti-cas do ambiente e doterritório, como friseiatrás.Digamos que toda a gente comenta políticasambientais, parece que entraram na moda.Estão sempre na moda, porque são fundamen-tais.Fundamentais mas completamente descuradasem Portugal. Assiste-se, todos os anos, à des-truição florestal do país...É uma catástrofe enorme.Com formação catedrática em Ciências daTerra ou Geociências, pode apontar algumasrazões que levam à destruição pura e simplesdo território de todos nós?Por deformação profissional... (risos)... nuncapenso numa causa, mas em várias causas, nassituações complexas. Esta situação que se viveem Portugal, decorrente dos incêndios, temcausas múltiplas. O que se aponta neste con-texto? O facto de não haver uma gestão flores-tal digna desse nome. As espécies resinosas queestão plantadas em Portugal – pinheiro, euca-lipto... – não são espécies tradicionais. Nos últi-mos 150 anos, houve uma reflorestação, noconjunto do país, com espécies resinosas que25da CunhaUniversidade de Lausanne
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ardem facilmente. A flora, o revestimento flo-restal mudou muito mas não no bom sentido.Depois, na gestão florestal, não se previramesses fogos deixando espaços livres na floresta.Há, também, as causas propriamente humanas:aumentou a circulação de pessoas em todas aszonas do país, quer dizer, a mobilidade destastornou-se mais intensa entre regiões. Com oaumento do consumo dos lazeres leva a quehaja mais riscos devido à imprudência dessaspessoas... E, depois, há as políticas que sefazem, no papel, e não se aplicam: como naquestão de limpar os espaços à volta de zonasurbanas e de propriedades particulares. Não hámeios e também não há responsabilidades.Veja, as pessoas não são responsabilizadas. E assecas, derivadas de alterações climatéricas, tam-bém são responsáveis por esta situação. Há,ainda, a questão da criminalidade. Não pode-mos ser angélicos e dizer que não há interessesde vária ordem, nestes incêndios. Claro que há!Sabemos que há pirómanos por todo o lado, emPortugal, e que são capazes de incendiar o país.Mas, mesmo com essa certa dose de piromaniae de criminalidade, não se devia sentir tanto oimpacto se a vulnerabilidade da floresta portu-guesa fosse menor. E há muitas..., muitasoutras causas que se vêm juntar a estas.Regressando a este meio ambientebem ordena-do, encontra nesta Faculdade muitos alunoslusodescendentes?Esta Faculdade não tem muitos alunos porqueé relativamente nova, entre eles deve haver trêsou quatro de nacionalidade portuguesa, nãomais. O Instituto de Geografia estava anterior-mente filiado à Faculdade de Letras e aí, volta emeia, encontrava alunos portugueses o que nãose passa aqui.A futura geração talvez dê mais alunos ao ensi-no superior...Eu espero que sim. Não há nenhuma razãoespecial para que assim não seja; mas o que senota, ainda, na população portuguesa é quecontinua a ser discriminada no ponto de vistado ensino, tem mais dificuldades de acesso.Talvez não deva usar a palavra discriminação. Éviolenta. A discriminação implica uma acçãovoluntária que impede as pessoas de progredi-rem na sua carreira, na sua formação e isso nãoacontece aqui, como sabe.O que se verifica é que a população portuguesa,da segunda geração, tem mais dificuldades deacesso ao ensino superior, enquanto a populaçãosuíça, da mesma idade, está mais representada...Há muitas causas a questionar: será o meiosocial? Dificuldades de integração? Será o ensi-26António da Cunhaentrevista
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27no selectivo? Há uma série de factores que pos-sivelmente irão influenciar e jogar em desfavorno acesso a este ensino.Mas acontece também que há matéria paraoptimismo, felizmente, porque as comunidadesemigradas há mais tempo, como italianos eespanhóis, hoje estão em pé de igualdade comos suíços no acesso ao ensino superior.Portanto, aqui, há um motivo de esperança naintegração progressiva da nossa comunidade.Docente na Faculdade, investigador, redactorde temas científicos, colaborador em jornais erevistas... Diz adeus aos tempos livres para osconsagrar ao movimento que parece ser umadas meninas dos seus olhos: O Associativismo.As funções que eu desempenho no campo asso-ciativo, digamos, neste combate, já antigo, pelosdireitos cívicos, pelos direitos dos emigrantes,pelo reconhecimento da igualdade de direitos àcomunidade migrante, organizo-a através detrês pólos de intervenção: Federação dasAssociações Portuguesas na Suíça, da qualcontinuo a ser presidente; Comissão Federal deEstrangeiros, da qual sou membro não sei háquanto tempo e membro da Comissão Políticada mesma; Fórum para a Integração Migrantena Suíça que agrupa Federações de Associaçõesde cerca de 50 nacionalidades e da qual sou pre-sidente.
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