Portugal e a partilha de Africa -
25/11/2007, 18h53
No século XIX, o continente africano passou a estar na mira dos países europeus industrializados, alertados para os seus recursos naturais pelos relatos dos exploradores sertanejos. Para além da exploração das suas matérias-primas, tratava-se, sobretudo, de o tornar um grande mercado para a colocação de capitais e de produtos industriais. Essas potências, a partir da década de 70, cobiçaram os territórios que os portugueses possuíam em África desde o século XV. No entanto, a Inglaterra, que antes mantinha com os portugueses um conflito aberto em torno da questão colonial, tornou-se então defensora do direito histórico de Portugal à soberania dos territórios africanos, desde que também os pudesse explorar economicamente. A política colonial de Inglaterra, que procurava reforçar a sua supremacia sobre o continente africano à custa dos domínios portugueses, não agradava às outras potências europeias, que decidiram realizar a Conferência de Berlim, iniciada em 1884, a fim de discutirem a partilha de África.
Nesta conferência ficou estabelecido que, daí em diante, o critério que legitimaria a posse dos territórios africanos era a sua ocupação efectiva, e não apenas o direito histórico tradicional sobre eles. Esta decisão implicou o envio, para África, de significativos meios humanos e materiais, decisão que Portugal teve grandes dificuldades em cumprir.