Desde a instauração do liberalismo, que o tesouro público foi separado do erário régio. Entretanto para fazer face às despesas da Casa Real, foi estabelecida uma quantia em dinheiro que, apesar da carestia, se manteve inalterável. Como a despesa da Casa real, suplantava a verba que lhe era atribuída, os vários ministros da Fazenda foram, ao longo dos anos, concedendo adiantamentos e abonos em dinheiro que, à margem da lei e das cortes, iam cobrindo os gastos reais.
Este procedimento prolongava-se já desde o reinado de D. Pedro V e manteve-se até ao de D. Carlos I, pelo que a Casa Real acumulou grandes dívidas ao Estado. A 30 de Agosto de 1907, João Franco resolveu a questão dos adiantamentos de maneira desastrosa. Para tal, anulou as dívidas da Casa Real para com o tesouro público e aumentou-lhe a verba financeira.