No terceiro quartel do século XIX (anos 50 e 60), em pleno desenvolvimento do capitalismo, os poetas portugueses da chamada segunda geração romântica, mesmo os que expressam nos seus poemas um humanitarismo de cariz progressivo, não revelam o espírito de missão, nem têm um projecto de revolução cultural como sucedia com os poetas do primeiro romantismo. Boa parte da sua poesia perdera a força lírica da de Almeida Garrett e a convicção da de Alexandre Herculano. Muitos poetas limitavam-se a repetir modelos e recursos estílísticos sobre o amor-paixão e a morte, que elegiam como temas dominantes. Caíu-se num sentimentalismo piegas e num excessivo formalismo, que confinavam a poesia a um convencionalismo literário, divorciado da realidade. Individualismo, subjectivismo, sentimentalismo e nacionalismo são as suas marcas mais patentes. António Feliciano de Castilho é o decano, o patriarca e o patrono desta geração de poetas. Senhor de um grande prestígio literário e símbolo da cultura dominante, teve uma grande influência cultural e exerceu uma acção tutelar sobre os poetas ultra-românticos. Antero de Quental, ao insurgir-se contra o grupo representado por Castilho, lançou a célebre Questão Coimbrã e as bases do movimento realista.