A Rússia, a Áustria e a Prússia celebraram um convénio, em 1815, destinado a manter a ordem política instituída na Europa, conforme os ditames do Congresso de Viena, denominado Santa Aliança. Em complemento da Santa Aliança surgiu, em 1834, a Quádrupla Aliança,em que participaram a Inglaterra e, mais tarde, a França. Foi neste contexto político que surgiram as revoluções liberais dos países do Sul da Europa (Espanha, 1812 e 1820; Portugal, 1820; Itália, 1820; Grécia, 1821), vistas pelos países aliados como factores de perturbação da estabilidade europeia. Daí a repressão exercida pela Santa Aliança sobre vários movimentos liberais. São exemplos disso a intervenção militar em Espanha, em 1823, e as dificuldades criadas aos liberais portugueses através do bloqueio comercial e do apoio dado aos contra-revolucionários absolutistas, facção liderada por D. Miguel. Sendo a Inglaterra, a nível mundial, o paradigma do liberalismo, era natural que apoiasse a implantação do regime liberal em Portugal, mas não só não o fez, como criou muitas dificuldades a este processo. É que a revolução vintista tinha um forte cunho nacionalista e os novos poderes tomaram medidas destinadas a reformar o país que contrariavam os interesses dos ingleses. Para além de a remodelação do tratado comercial de 1810 e o reposicionamento do Brasil como colónia portuguesa comprometerem o domínio económico de Portugal pela Inglaterra, a expulsão de Beresford e dos seus colaboradores dos lugares de decisão política e militar que ocupavam desde o período da guerra peninsular abalavam fortemente o domínio político que aquela exercia sobre o nosso país.