O movimento operário português manifestou-se, essencialmente, pela fundação de associações, de jornais operários e pela realização de greves.
A evolução do movimento associativo foi marcada, numa primeira fase, pela implantação da República Democrática e Social francesa de 1848 e pelo triunfo do socialismo utópico; numa segunda fase, foi marcado pelas repercussões da Comuna de Paris de 1871 e pela filiação do operariado português na Associação Internacional dos Trabalhadores, tutelada pelo socialismo científico.
A partir de 1871, as associações perderam o seu carácter interclassista (congregavam então intelectuais, elementos da pequena burguesia e do operariado) para se tornarem associações de classe (da classe operária), mas estas tinham uma feição predominantemente mutualista. Como associações de socorro mútuo, prestavam apoio económico, instrução e assistência na doença e na invalidez aos seus associados. Numa terceira fase, até finais do século, as associações de classe foram-se transformando, progressivamente, de mutualistas em sindicais. Por intermédio da imprensa operária, as associações expunham a sua ideologia, denunciavam as injustiças sociais, apresentavam as suas reivindicações de classe. Através das greves, lutavam por melhores condições de vida e de trabalho dos operários. Foi da dinâmica do movimento associativo que nasceram o sindicalismo e os partidos socialista e anarquista. Posteriormente, o movimento operário anti-capitalista inspirou-se nas próprias ideologias socialista, anarquista e sindicalista.