João Franco assentava a sua propaganda política no ataque aos partidos monárquicos que tinham a maioria no Parlamento. Era um crítico acérrimo da corrupção que assolava o país, que acusava de ser provocada pelo rotativismo partidário. Esta atitude granjeou-lhe a simpatia de todos os que acreditavam existir, ainda, uma solução política no contexto de uma monarquia renovada.
A 19 de Maio de 1906 consegue formar governo de coligação com os progressistas e apresenta-se sem programa definido, mas continuando a declarar-se liberal.
Mas a 10 de Maio de 1907, apoiado pelo rei D. Carlos, leva a efeito um golpe de estado. A coligação com os progressistas foi anulada, a Câmara dos Deputados (Cortes) dissolvida e a ditadura instaurada. No intuito de promover o fortalecimento do poder real, actuou de forma arbitrária, violenta e repressiva. Este procedimento mereceu-lhe o crescendo da oposição política, acabando por voltar contra si todos os partidos (monárquicos e republicano). Agora só o rei o apoiava.
Em 1907, o escândalo dos adiantamentos monetários à Casa Real, face à carestia de vida do povo, provocou uma onda de indignação e agravou o descrédito no regime monárquico. Por fim, como resposta à malograda tentativa revolucionária de 28 de Janeiro de 1908, João Franco leva o rei D. Carlos, que estava em Vila Viçosa, a assinar um decreto que proibia toda a oposição política franquista, o que levou ao rubro o desagrado da opinião pública. Em 1 de Fevereiro de 1908, deu-se o regicídio. João Franco, não resistindo aos ataques da oposição e aos que o responsabilizavam por ter contribuído em parte para este desenlace fatal, foi obrigado a exilar-se.