O desenvolvimento das ciências exactas e os resultados da sua aplicação, no século XIX, trouxeram um enorme prestígio ao conhecimento científico e uma grande crença no progresso. Outras áreas do conhecimento humano, as chamadas ciências sociais, adoptaram os modelos e métodos das ciências exactas a fim de adquirirem eficácia e credibilidade. O espírito científico generalizou-se a todas as áreas do saber.
Em Portugal, a partir de 1870, salvo raras excepções e apesar de algumas divergências, a maior parte da elite intelectual considerava a ciência, generalizada através da filosofia social e da sociologia, o único critério de verdade. Este pensamento, baseado na razão e na ciência, tendia a desprezar as explicações de natureza metafísica e teológica e conduziu à crescente oposição dos intelectuais e da cultura à religião. Por outro lado, esta elite cria no seu papel emancipador e no poder da nova cultura para a transformação das mentalidades, necessária à reforma da sociedade.
Em resumo, não obstante as diferenças de opinião (uns eram a favor da prioridade da mudança económica e social, outros, da política), havia a convicção generalizada de que só se podia construir uma nova sociedade se se conseguisse fazer adquirir pela população (em grande parte analfabeta e católica) uma cultura de cariz secular e científico que se opusesse ao pensamento metafísico e religioso e diminuisse, assim, o poder cultural da Igreja.