A maioria da população portuguesa (mais de 80%) vivia, no século XIX, nos meios rurais, e boa parte da população activa (60% a 70%) estava ocupada na agricultura. Esta situação só muito lentamente se foi modificando.
Eram sobretudo a posse da terra e a sua forma de exploração que determinavam a categoria social a que cada um pertencia. A propriedade era considerada um investimento seguro, que conferia riqueza e prestígio. A estratificação social apresentava-se pela seguinte ordem: proprietários, rendeiros e jornaleiros. Dentro de cada estrato havia, ainda, diferentes escalões. Havia um número limitado de grandes proprietários, sendo a grande maioria da população rural constituída por pequenos proprietários e pequenos rendeiros, que trabalhavam terras próprias ou de outrem mediante contrato de arrendamento ou aforamento, e jornaleiros sem terras e assalariados. Estes últimos eram o grupo mais numeroso, e que em piores condições vivia.
A desamortização dos baldios e dos bens do clero e a extinção dos vínculos proporcionaram um maior acesso à propriedade; todavia, ela não se distribuiu pelos vários estratos sociais rurais, mas concentrou-se sobretudo nas mãos de novos terratenentes, nomeadamente a nova nobreza e a grande burguesia. A estrutura da propriedade em Portugal foi também um dos condicionalismos ao desenvolvimento da agricultura. No Norte litoral e no Centro, onde se concentrava a maioria da população, a propriedade estava dividida em parcelas muito pequenas, que mal garantiam a subsistência da família, enquanto no Sul (Alentejo e Ribatejo), onde a população era mais escassa, predominava a grande propriedade subaproveitada. O sobrepovoamento do Norte conduziu às migrações sazonais e, a partir da década de 70, os pequenos proprietários arruinados e os desempregados jornaleiros procuraram uma resposta na emigração.