A segunda guerra civil
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Par défaut A segunda guerra civil - 25/11/2007, 17h56

Nos anos de 1846 e 1847, Portugal enredou-se, novamente, numa violenta guerra civil, provocada, desta vez, por levantamentos populares que se expandiram por todo o país. Estes reflectiam a reacção, sobretudo dos camponeses, aos péssimos anos agrícolas, à carestia de vida, à baixa dos salários agrícolas, à burocracia, ao aumento dos impostos - incluindo a execução de um cadastro de propriedade -, ou seja, e em suma, à modernização forçada do mundo rural, e foram aproveitados, e de certo modo controlados e enquadrados, pelas diferentes forças políticas de oposição aos governos de Costa Cabral e do marquês de Saldanha. Os movimentos mais famosos seriam a Maria da Fonte e a Patuleia.

Em Abril de 1846 eclodiu no Minho, uma rebelião popular, a que se deu o nome de Maria da Fonte por ter tido início num tumulto de mulheres em Fonte da Arcada, no concelho de Póvoa de Lanhoso. A população começara por se opor às chamadas leis de saúde, que proibiam os enterramentos nas igrejas, obrigando a que os defuntos fossem sepultados no cemitério, à revelia das crenças e costumes populares. Voltou-se, depois, contra os funcionários da Fazenda Pública, que procediam ao arrolamento dos bens para efeito do lançamento de impostos. A administração foi assaltada e destruíram-se os arquivos, rasgando e queimando os documentos. A revolta alastrou então a todo o Minho e a Trás-os-Montes. Foi destacada uma força de infantaria, que partiu de Braga para combater os revoltosos. Estes passaram depois a formar guerrilhas chefiadas por aqueles que mais se tinham distinguido na luta contra os militares e na acção contra as autoridades. Entretanto, os milhares de camponeses amotinados que gritavam morras aos ministros e vivas à rainha viram juntar-se-lhes artesãos, operários, párocos, estudantes e até figuras da nobreza, como o morgado de Mateus e o conde de Vinhais. Por fim, perante a impotência de José Cabral, irmão de Costa Cabral, para dominar a revolta que alastrara a todo o país, a rainha D. Maria II viu-se obrigada a demitir o governo e os irmãos Cabral emigraram para Espanha. A Patuleia (revolta dos «patas ao léu», ou da plebe) foi uma revolta contra o regresso da política cabralista. Em consequência do triunfo da oposição ao cabralismo formara-se um novo ministério, em Maio de 1846, que, embora constituído por liberais moderados, se dispunha a governar de modo mais democrático. A duração deste ministério foi breve. A 6 de Outubro de 1846, ocorreu um golpe militar, denominado Emboscada, dirigido pelo marquês de Saldanha mas preparado pela rainha com a colaboração de Costa Cabral, entretanto exilado em Espanha. Este golpe palaciano levou à remodelação ministerial. A nova administração era presidida por Saldanha, tinha o apoio de Espanha e propunha-se seguir a política cabralista.

A oposição reagiu de imediato. No Porto, instalou-se um clima de revolta e os setembristas criaram a Junta Provisória do Governo Supremo do Reino. A revolta, entretanto, estendeu-se a várias províncias, e nas principais cidades do país instalaram-se juntas revolucionárias. Os populares rebelaram-se de novo, e a actuação das guerrilhas não se fez esperar. Setembristas e miguelistas juntaram-se mais uma vez para tentarem derrubar a facção dominante. As suas forças lutaram por todo o país contra as tropas fiéis ao governo. Incapaz de pôr termo à rebelião e de dominar a Junta do Porto, o governo pediu a colaboração das três grandes potências estrangeiras (Espanha, França e Inglaterra), ao abrigo da Quádrupla Aliança, cuja intervenção pôs fim à guerra civil.


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