Em Abril de 1846 eclodiu, no Minho, uma rebelião popular, a que se deu o nome de Maria da Fonte por ter tido início num tumulto de mulheres em Fonte da Arcada, no concelho de Póvoa de Lanhoso.
A população começara por se opor às chamadas leis de saúde, que proibiam os enterramentos nas igrejas, obrigando a que os defuntos fossem sepultados no cemitério, à revelia das crenças e costumes populares. Voltou-se, depois, contra os funcionários da Fazenda Pública, que procediam ao arrolamento dos bens para efeito do lançamento de impostos. A administração foi assaltada e destruiram-se os arquivos, rasgando e queimando os documentos. A revolta alastrou então a todo o Minho e a Trás-os Montes.
Foi destacada uma força de infantaria, que partiu de Braga para combater os revoltosos. Estes passaram depois a formar guerrilhas chefiadas por aqueles que mais se tinham distinguido na luta contra os militares e na acção contra as autoridades.
Entretanto, os milhares de camponeses amotinados que gritavam morras aos ministros e vivas à rainha viram juntar-se-lhes artesãos, operários, párocos, estudantes e até figuras da nobreza, como o morgado de Mateus e o conde de Vinhais.
Por fim, perante a impotência de José Cabral, irmão de Costa Cabral, para dominar a revolta que alastrara a todo o país, a rainha D. Maria II viu-se obrigada a demitir o governo e os irmãos Cabral emigraram para Espanha.