A Regeneração foi o movimento que se iniciou com o golpe de Saldanha, em 1851, que depôs Costa Cabral e marcou a vida política portuguesa na segunda metade do século XIX. Regeneração é uma palavra frequente no discurso liberal, e que significa a aspiração política de renascer, mudar de rumo. Este movimento político e social, que teve em Fontes Pereira de Melo o seu principal impulsionador, veio dar continuação à política de Costa Cabral, embora com outras condições políticas. Mantiveram-se os lemas da ordem e do progresso sob a tutela da alta burguesia, mas agora num clima político mais liberal e consensual. Foi promovida uma política de fomento das obras públicas, de desenvolvimento da agricultura, do comércio e da indústria, de reforma da administração e do ensino.
Conseguiu-se obter a estabilidade política ao tornar mais aceitável, para todos, a Carta Constitucional, cuja alteração (Acto Adicional de 1852) ia ao encontro de uma das principais reivindicações setembristas. Conseguiu-se ainda suscitar a criação de um consenso entre as diversas facções políticas em relação à prioridade da modernização e do progresso material do país.
O novo governo grangeou a paz social no campo e na cidade, através de uma mais equilibrada distribuição da carga fiscal, da melhoria do sistema de crédito, da regularização no pagamento dos vencimentos aos funcionários públicos, da tentativa de estabilização da dívida pública, do progresso material e do alargamento do ensino. A fim de obter capitais para custear as obras públicas, recorreu aos empréstimos estrangeiros e ao aumento dos impostos, opções políticas que desencadearam uma forte oposição.
Passadas três décadas da sua instauração, o liberalismo português encontrava, finalmente, a estabilidade política e social e os meios institucionais para promover o capitalismo no país.