A administração cabralista suscitava a oposição de todas as facções políticas: setembristas, cartistas dissidentes e miguelistas. Apenas os cartistas não dissidentes viam no golpe de Cabral o início de um período de ordem e de progresso, que se legitimava como resposta à revolução setembrista, considerada inútil e injusta. Os setembristas moderados pretendiam, entre outras coisas, a reforma da Carta Constitucional, da Câmara dos Pares e da lei eleitoral. Os setembristas radicais apresentavam como principais reivindicações a restauração da Constituição de 1838, a realização de eleições directas e uma diminuição substancial dos impostos.
Os cartistas dissidentes estavam, sobretudo, descontentes com a actuação do governo. Os miguelistas contestavam a legitimidade da rainha e queriam D. Miguel de volta ao poder. Todas estas forças, embora política e ideologicamente antagónicas, formaram uma coalização que tinha como estratégia comum combater, por todos os meios, o governo, e afastar Costa Cabral do poder.