A lenta modernização da agricultura -
25/11/2007, 17h46
A partir de 1820, o desenvolvimento da agricultura foi tido como a única solução possível para a recuperação da economia portuguesa. Numa primeira fase, tomaram-se medidas legislativas e criaram-se infraestruturas (nomeadamente transportes) tendentes à sua modernização, que levaram a uma progressiva melhoria das condições de produção e de distribuição dos produtos. Essa melhoria traduziu-se na liberalização da terra, do trabalho e dos produtos, na redistribuição da propriedade, no aumento da área cultivável e no aumento da circulação dos produtos. Daí resultou a animação do mercado interno e o aumento da produtividade. O aumento de investimento, o aparecimento do crédito, a introdução de novas técnicas, a divulgação de novas culturas e o desenvolvimento da pecuária foram outras tantas consequências da política de fomento agrícola.
A despeito dos melhoramentos conseguidos, a agricultura, de 1870 em diante, entrou numa fase de depressão. O aumento ou a diminuição da produção de diversos géneros dependia, nesse período, da maior ou menor procura que estes tinham pelo comércio externo, visto que a maior parte das mercadorias exportadas provinha do sector agrícola e não havia um mercado interno capaz de absorver essa produção. Nos princípios do século XX, a agricultura voltou a ter um período de desenvolvimento, mercê de uma política proteccionista e da possibilidade do escoamento da produção para o mercado colonial africano. No entanto, a dispersão da propriedade, o atraso das técnicas agrícolas, a precaridade dos meios de transporte e a ausência de um mercado interno desenvolvido, entre outros factores, dificultaram o processo de modernização da agricultura em Portugal.