|
A evolução demográfica -
25/11/2007, 17h42
No século XIX, verificou-se na Europa um aumento demográfico resultante do desenvolvimento económico e do progresso da medicina que proporcionou melhores condições de vida e de higiene. Em Portugal, o crescimento demográfico, que foi muito inferior ao europeu, acentuou-se especialmente a partir da década de 70.
Embora a taxa de mortalidade fosse elevada, devido a múltiplas doenças, houve sempre um excedente de nascimentos em relação aos óbitos. No entanto, a distribuição da população não era uniforme por todo o território, havendo mesmo uma grande disparidade. Na costa atlântica, entre os rios Minho e Sado, nos vales do Douro e do Mondego e na costa do Algarve a população estava muito concentrada, enquanto nas regiões montanhosas de Trás-os-Montes e da Beira Alta e nas planícies da Beira Baixa e Alentejo sucedia o contrário. À excepção de Lisboa e do Porto, o crescimento populacional dos aglomerados urbanos portugueses manteve-se quase estacionário ao longo do século XIX. Lisboa, sozinha, tinha cerca de metade da população urbana e, juntamente com o Porto, somava cerca de dois terços dessa população. Por outro lado, a totalidade da população urbana equivalia a pouco mais da décima parte da população total. Era reduzido o número de cidades portuguesas e limitada a quantidade dos seus habitantes.
Se, por um lado, o desenvolvimento económico e a consequente melhoria das condições de vida que se verificaram a partir da segunda metade do século XIX estão na origem do crescimento da população, por outro, esse desenvolvimento económico processou-se a um ritmo tão lento que a indústria não conseguia absorver os excedentes da população rural. O aumento da densidade populacional, no norte litoral e no centro do país, conjugado com a escassez de terras, num regime de pequena exploração, tendia a intensificar as migrações internas dos pequenos proprietários e, sobretudo, dos jornaleiros. Após a década de 70, a crise da agricultura provocou a ruína dos primeiros e a indigência dos segundos, levando ambos à emigração . O crescimento da população, em algumas regiões em que a terra era escassa e estava muito repartida (Norte Litoral e Centro), obrigava o campesinato, ora a empregar-se noutras actividades (construção civil, obras públicas), ora a ocupar-se noutras zonas do país, em fainas agrícolas que exigiam, em certas épocas do ano, um reforço de mão-de-obra (migrações sazonais). Estão neste caso a ceifa do trigo e a apanha da azeitona, no Alentejo; a ceifa do arroz, nos vales do Sado e do Mondego; e as vindimas ou a pisa da uva, no Douro.
\\\|///
\\ - - //
( @ @ )
______________________OOo-(_)-oOOo_____________________
"La seule chose promise à l'échec est celle que l'on ne tente pas"
"La conscience est la lumière de l'intelligence pour distinguer le bien du mal"
** Confucius : Philosophe chinois **
|