Após a Vila-Francada (1823), a Abrilada ( 1824) e o regresso de D. Miguel (1828), alguns liberais partiram para o exílio em Inglaterra e em França, a fim de evitar a prisão e de prevenir eventuais vinganças pessoais. Entre 1823 e 1826, o número de liberais que partiu para o exílio é pouco significativo. Em 1826, com a outorga da Carta Constitucional, muitos dos exilados políticos voltaram a Portugal. Foi só depois da instauração do absolutismo que este movimento se tornou mais intenso.
As adversas condições de vida da emigração determinavam que se exilassem, sobretudo, os liberais mais cultos e mais comprometidos politicamente. Estes homens, devido ao desenvolvimento dos países de acolhimento, tiveram oportunidade de beneficiar de contactos sociais e vivências culturais e políticas enriquecedoras, sem , no entanto, deixarem de assumir as diferenças ideológicas que os dividiam em vintistas e cartistas. Quer através da diplomacia, do jornalismo e de outras publicações de propaganda política e ideológica, quer através da participação na guerra civil, os liberais exilados deram um contributo muito significativo para a vitória do liberalismo em Portugal.