Contudo, os tempos eram sombrios. A crise financeira que se manifestava desde 1847 agravou-se e, em 1848, conduziu o país à bancarrota. O ministério tinha uma enorme dívida interna e externa. Faltava o dinheiro para cobrir as despesas da Função Pública, do Exército e da Marinha, por exemplo. Cresciam a agiotagem, os despedimentos, o desemprego, a evasão, e a deserção. Propunha-se já a venda dos bens eclesiásticos, e dos bens rústicos e urbanos da Universidade de Coimbra. O aumento do banditismo e das guerrilhas voltava a provocar a instabilidade social e a perturbação da ordem pública. Os motins desencadeados pelos patuleias (setembristas e miguelistas) continuavam a ocorrer. A chama revolucionária da oposição setembrista era alimentada pelas ideias socialistas e pelos movimentos nacionalistas e republicanos que surgiam na Europa. Conspirava-se activa e abertamente contra o governo através da propaganda política e da insurreição. Em 17 de Maio de 1848 era fundada a Comissão Revolucionária de Lisboa, também denominada Triunvirato Republicano, a que pertenciam, entre outros, Rodrigues Sampaio, José Estevão, Casal Ribeiro e Braamcamp. Para combater a oposição e contrariar uma certa anarquia política, Saldanha reforçou o aparelho de defesa do Estado e promoveu a sua acção repressiva. O regresso de Costa Cabral à chefia do governo, em Junho de 1849, parecia ser a solução encontrada para a crise política que emergira em Março de 1848, decorrente da situação em que o país se encontrava. Porém, os desentendimentos entre os cartistas agravaram-se, e Saldanha, que devolvera o poder a Costa Cabral, dirigiu, a partir do Porto, em Abril de 1851, o golpe militar que iria depor, definitivamente, o chefe do governo.