Entre 1580 e 1640, a actividade teatral caracterizou-se pela receptividade ao teatro espanhol, pelo que saíram prejudicadas, não só a corrente vicentina, como a de inspiração clássica, que se registaram na primeira metade do século XVI. Vieram, de facto, as companhias espanholas - as mogigangas - que representavam comédias mordazes e desenvoltas, obrigando à adaptação dos próprios espaços cénicos pelos modelos usados nos seus congéneres madrilenos. De facto, criaram-se em Lisboa o Pátio do Borratém (1588?) e o Pátio das Arcas (1593-1697), pela acção do empresário castelhano Fernão Dias La Torre, o Pátio das Fangas da Farinha (1619) e talvez o da Horta do Conde, espaço privado no pátio do palácio dos Condes de Ericeira. Todavia, o sucesso do teatro espanhol levou a que autores portugueses escrevessem em castelhano (D.Francisco Manuel de Melo e Francisco Rodrigues Lobo), havendo aqueles que, mais afortunados, obtiveram assinalável êxito em Madrid, com a apresentação de peças de sua autoria (Manuel Freire de Andrade, Jacinto Cordeiro...). Paralelamente, os jesuítas desenvolveram nos seus colégios as tragicomédias de intenção moralista e de grandes efeitos cénicos, para melhor atingir os objectivos pedagógicos que se propunham.