Durante o período filipino, pujante em artes decorativas, criaram-se, sobretudo em oficinas lisboetas, complexos ornamentais no domínio dos revestimentos de azulejos, que conferiram grande dinamismo aos contextos arquitectónicos onde foram instalados. Não esquecendo os trabalhos em madeira - mobiliário e retábulos -, faianças, ourivesaria e tecidos, por vezes de inspiração oriental, as fontes inspiradoras localizam-se nos modelos eruditos italianos e flamengos, até mesmo para o azulejo e a talha. A importância da talha na arte seiscentista foi-se acentuando à medida que os retábulos em madeira substituíram os de pedra, sendo, por vezes o arquitecto da obra a desenhar o próprio retábulo, conferindo recortes de cariz italiano, veiculados pela tratadística, tal como se se tratasse de portais e fachadas de igreja. Por seu turno, o azulejo, produzido em Lisboa na sua maioria, imitava certos têxteis ao desenhar arranjos geométricos e florais de colorido variado, em perfeita harmonia com as paredes brancas das casas nobres, e em panos de altares e naves, numa espécie de cruzamento de tapetes de Arraiolos com tapeçarias orientais.