Alterações de Évora ou do Manuelinho -
25/11/2007, 16h36
O rei Filipe III decidira lançar um novo imposto em Portugal que deveria render 500 000 cruzados, na tentativa de minimizar grandes dificuldades agravadas pela quebra de remessas de metais preciosos das Índias Ocidentais. Incapaz de convencer a câmara de Évora sobre a maneira mais eficaz de aplicar o novo imposto, o corregedor André de Morais Sarmento convocou para a sua casa o juiz e respectivo escrivão, tentando, por todos os meios, o seu acordo. A um sinal do juiz do povo - fortemente pressionado e ameaçado pelo corregedor - o povo, então junto, revoltou-se, assaltando, incendiando, destruindo registos públicos e a casa do corregedor. À revolta popular, a nobreza e o alto clero locais procuraram responder com a criação da Junta de Santo Antão (porque na Igreja de Santo Antão se reuniam), que deveria pacificar a cidade, mas a população desconfiava desses objectivos. Apelidada de revolta do Manuelinho, nome de um deficiente mental eborense, rapidamente a agitação alastrou ao Alentejo, Algarve, Santarém, Abrantes, Porto e Viana do Castelo, sendo sufocada apenas em princípios de 1638 pelas tropas vindas de Espanha. Já em anos anteriores, tanto Portugal, como outras regiões sob administração filipina tinham sido palco de revoltas populares, que impulsionaram o movimento revoltoso que veio a culminar na Restauração (1640).