Neste período, a pintura teve um grande desenvolvimento em Portugal, sobretudo a de feição religiosa, que satisfazia as encomendas das instituições, desde as ordens às pequenas igrejas paroquiais. A ida de alguns artistas para Itália, tais como Francisco de Holanda , Gaspar Dias e António Campelo, produziu extraordinário espírito de abertura à modernidade italiana. Todavia, não é a subordinação aos cânones clássicos que se encontra na pintura portuguesa da época filipina, mas antes um posicionamento criativo, a insubordinação relativamente aos modelos normativos, as linhas sinuosas, a grande autonomia de fundos e a soltura de pincelada que criaram as melhores obras pictóricas portuguesas. A inexistência de corte em Lisboa levou ao esquecimento a pintura de retrato que Cristóvão de Morais tão bem valorizara no reinado de D. Sebastião. Apenas Amaro do Vale, pintor de Filipe II entre 1619 e 1629, representou os aristocratas do governo filipino de Lisboa na obra Adoração da corte celestial de Filipe II (1612-1619).