Estando os poetas e prosadores ao serviço de «cortes de aldeia», ou seja, ao serviço de alguns membros da nobreza nem sempre letrados, a actividade literária em Portugal empobreceu acentuadamente durante o período de 1580-1640. A maior parte dos autores deste período exprimiu-se em castelhano e em português, tal como vinha acontecendo desde os finais do século XV, exceptuando-se os autores conventuais, que preferiam o português, tanto no que se refere à prosa como à poesia mística. Tais são os casos de frei Agostinho da Cruz e de frei Diogo Bernardes. Os autores religiosos tiveram ainda grande importância no desenvolvimento de uma historiografia que procurava justificar a existência autónoma de Portugal, recorrendo muitas vezes a documentos falsos, a milagres e a episódios de intervenção divina. Disto é exemplo a Monarquia Lusitana (primeiro volume em 1632), do beneditino frei Bernardo de Brito. Igualmente novidade no panorama literário português foi a oratória sacra, desenvolvida pelo padre António Vieira nos seus famosos Sermões. Usando histórias de temática religiosa, recorria a uma linguagem pejada de efeitos comparativos e hiperbólicos, com a finalidade de alertar os ouvintes para candentes problemas sociais que exigiam solução. Merecedor de nota, apesar de incipiente, é o início do primeiro jornalismo português, caracterizado pelo panfleto político, anónimo e revelador de desejos independentistas. Na tradição literária da segunda metade de Quinhentos, registam-se as poesias de influência camoniana, sobretudo as de cariz épico, como o Condestabre de Portugal, de Francisco Rodrigues Lobo, e ainda a peça Comédia Eufrósina, do mesmo autor, uma das poucas tentativas de dramaturgia nacional neste período de sessenta anos.