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O regime senhorial -
23/11/2007, 23h47
A primeira região a ser repovoada, ainda antes da formação do reino de Portugal, terão sido as terras de Entre Douro e Minho, a partir de meados do século IX, com Afonso III, rei das Astúrias e Leão, que estabeleceu nessas terras representantes régios - os condes.
Foi nessa altura que Vimara Peres conquistou a cidade de Portucale (Porto). Instalou-se em Guimarães e tornou-se o primeiro governador do Condado Portucalense, iniciando nessa região uma forte influência senhorial, que ajuda a perceber as relações entre senhores e vassalos das quais resultou o desejo de autonomia do Condado Portucalense e, posteriormente, a formação do reino de Portugal.
Para sul do Douro e até ao Tejo, as terras eram pouco povoadas e o seu repovoamento foi feito, principalmente a partir do século XIII, por moçárabes (cristãos que, embora vivendo sob o domínio muçulmano, tinham conservado a língua, a religião e os costumes), população vinda do norte superpovoado e alguns colonos estrangeiros.
Neste movimento de repovoamento e desenvolvimento económico dos novos territórios ocupados, o clero desempenhou um papel de grande importância, pois muitas ordens religiosas receberam grandes doações (senhorios), como por exemplo os monges Cistercienses, estabelecidos no mosteiro de Alcobaça, e os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, nos mosteiros de Santa Cruz de Coimbra e de São Vicente de Fora, em Lisboa.
Também as ordens militares desenvolveram um papel de relevo na fixação de novos colonos nos grandes senhorios da região centro, senhorios que lhes foram doados como recompensa pela sua actividade militar na Reconquista (caso da Ordem dos Templários, com o célebre convento de Cristo, em Tomar).
Para além das doações feitas ao clero, os reis incentivaram a colonização dos novos territórios, concedendo a determinadas povoações cartas de foral, através das quais eram distribuídos vários privilégios municipais. A prosperidade destas povoações (concelhos) e o desejo de atrair novos povoadores a terras maninhas fez com que membros do clero e da nobreza, principalmente no centro e sul, concedessem também cartas de foral idênticas às do rei, criando-se, assim, um regime híbrido que associava o regime senhorial e o regime concelhio.
Nas terras ao sul do Tejo, o repovoamento fez-se principalmente através da constituição de concelhos (muito mais poderosos que os das regiões Norte e Centro) e das doações às ordens militares da Santiago, Calatrava e Hospitalários, que, com os seus castelos, asseguravam a defesa dos territórios e proporcionavam, assim, uma segurança e estabilidade que atraía os povoadores.
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** Confucius : Philosophe chinois **
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