O ideal de auto-suficiência e a quase inexistência de um sistema regular de compra e venda começou no século XIII a ser substituído por um novo princípio de mercado. O novo sistema implicava uma troca organizada entre o campo e a cidade e, assim, cada grande propriedade começou a enviar boa parte da sua produção para a cidade mais próxima, tornando-se o mercado a forma habitual da organização económica.
O comércio entre as povoações era feito pelos almocreves, que, nos seus animais, transportavam as mercadorias por todo o reino. Para além dos almocreves, que vendiam os seus produtos de terra em terra, os mercados e as feiras tiveram um papel muito importante no desenvolvimento económico do reino. Os mercados eram locais ou regionais e realizavam-se com frequência quinzenal ou mensal. As feiras eram geralmente anuais, e atraíam grande número de mercadores e compradores.
A melhoria dos transportes facilitou e estimulou as trocas comerciais e levou os próprios reis e senhores a criarem feiras através de cartas de feira e de cartas de foral com a intenção de desenvolver a economia das suas regiões. A carta de feira era o documento passado pelo rei ou senhor, fundando a nova feira e estipulando as garantias e obrigações dos feirantes. As feiras tiveram a sua grande época de desenvolvimento no século XIII, período em que foram criadas quarenta e três das noventas e cinco conhecidas. Destas, a mais antiga é a de Ponte de Lima (1125). No reinado de D. Dinis (1279-1325), foram passadas quarenta e oito cartas de feira.
Em algumas destas feiras - as chamadas feiras francas - os mercadores ficavam livres de pagar qualquer imposto. Este tipo de feiras surgiu no reinado de D. Dinis, mas só se generalizou no século XV, já no reinado de D. João I.