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Le virtuel m'habite...
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O comércio externo -
23/11/2007, 23h43
Desde o século XII, Portugal mantinha relações comerciais com outras regiões da Europa. Estas relações intensificaram-se a partir do século XIII, com o fim da Reconquista.
Este comércio fazia-se em direcção à Europa do Norte (Inglaterra, Flandres e França) e às regiões mediterrânicas (Sul de Espanha, Itália e Norte de África). As exportações portuguesas eram principalmente de vinho, azeite, sal, cortiça e frutos secos, importando, em troca, artigos manufacturados (tecidos e armas) e cereais.
Os contactos eram cada vez mais frequentes entre o Mediterrâneo e a Europa do Norte, estabelecendo-se uma rota marítima regular que contornava as costas da Península Ibérica e que tinha em Lisboa um importante porto de escala. Portugal, situado entre as rotas do Mediterrâneo e do Atlântico Norte, vai participar intensamente no grande comércio internacional europeu.
Pelos fins do século XIII, havia portugueses estabelecidos por toda a Europa Ocidental, detendo grande parte do comércio com Portugal. Em meados do século XIV, o número de mercadores estabelecidos na Flandres e o volume dos seus negócios levaram à criação de uma feitoria em Bruges. Em 1293, D. Dinis aprovou uma Bolsa de Mercadores portugueses que comerciavam com a Flandres, Inglaterra e França. Essa bolsa estabelecia e incluía um sistema de seguros para todos os barcos que recebessem carga em Portugal ou que fossem fretados por mercadores portugueses para seguirem para o estrangeiro. Uma parte do depósito obtido (100 marcos) ficava na Flandres, e a parte maior em Portugal. O apoio dos monarcas portugueses ao comércio externo intensificou-se-se durante a segunda metade do século XIV. Em 1353, no reinado de D. Afonso IV, assinava-se com o rei Eduardo III um acordo dos mercadores portugueses que faziam comércio com a Inglaterra, que garantia segurança aos mercadores de ambos os reinos por um período de cinquenta anos. Neste período, foram igualmente concedidas facilidades na aquisição de madeiras nas matas reais, para a construção naval. Havia isenção de impostos sobre os produtos exportados na primeira viagem de negócios. Em 1375 (reinado de D. Fernando) foi criada a Companhia das Naus, que estabelecia que todos os barcos com mais de 50 tonéis pagavam por cada viagem uma percentagem dos lucros, com os quais se criava um fundo destinado a compensar os seus proprietários, em caso de naufrágio.
O comércio externo português manifestou, ao longo dos finais do século XIII e no século XIV, uma grande vitalidade, começando a circulação económica a beneficiar outros escalões sociais. Mas a crise espreitava o reino, e o seu primeiro sinal foi a guerra civil de 1319-1324 (reinado de D. Afonso IV), em que as rivalidades sociais se começaram a manifestar para se arrastarem por todo o século XIV.
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